Viabilizando soluções complexas com NFT


*Por Caroline Nunes, fundadora da InspireIP.

No ano passado, vimos um boom de tokens não fungíveis, os NFTs. De uma hora para outra, todo mundo estava falando de memes valendo milhões e do valor que o Neymar desembolsou para comprar um colecionável do Bored Ape Yacht Club, por exemplo.

Eu me encantei com o potencial tecnológico dos tokens não-fungíveis e coloquei meus desenvolvedores para trabalhar com força total na nossa plataforma de NFT: A Origgio (antiga InspireIP Collectibles).

No entanto, para o desenvolvimento de algumas soluções, principalmente para questões mais complexas como Propriedade intelectual, parecia que algumas funcionalidades técnicas para os NFTs ainda estavam faltando. 

Foi então que me deparei com o conceito de NFT 2.0 introduzido pelo RMRK, em que os tokens se comportam como pecinhas de lego, ligando-se uns aos outros para formar uma cadeia complexa e programável de NFTs.

O problema com os NFTs que usamos hoje

Já percebeu que a maioria dos NFTs fica parado nas wallets dos compradores sem ter muita utilidade? Na melhor das hipóteses, os proprietários utilizam os tokens para desbloquear benefícios ou espera para vende-los durante o próximo ciclo de hype. 

Entendam, não há nada de errado neste processo. Para NFTs de arte, colecionáveis ou até PFP (foto de perfil), as funcionalidades técnicas que conhecemos são suficientes, já que não exigem um funcionamento complexo do token.

Para entender NFT 2.0, imaginem o seguinte cenário: No universo físico, podemos pegar várias partes separadas de um carro, que por si só possuem valor, e montar um carro, que também possui valor por inteiro. 

Para replicar isso no universo digital usando NFTs, ou teríamos que vender cada peça como um NFT independente, ou teríamos que vender o carro por inteiro, como NFT único. Até então, não era possível fracionar um NFT, ou conectar diferentes NFTs uns aos outros para formar um token completamente novo.

Com o NFT 2.0, seria possível tratar cada peça do carro como um NFT ligado ao veículo, que também seria um NFT.

É por isso que o conceito de lego NFT, também conhecido como NFT 2.0, vai destravar uma série de novas possibilidades no universo digital.

O que é NFT2.0 e o conceito lego?

O termo foi introduzido pela rede RMRK (pronuncia-se “remark”), que cria registros representando cada NFT em blocos na cadeia utilizando um conceito chamado “legos” (em vez de usar contratos inteligentes complexos). Semelhante aos bloquinhos coloridos, os NFTs se conectam ao NFT original, formando estruturas interligadas. 

FormaDescrição gerada automaticamente com confiança baixa

NFTs encapsulados 

Legal, né? Mas isso não é tudo. O NFT 2.0 também permite que NFTs possuam outros NFTs. 

Mas espera, qual é a utilidade disso? Imagine, por exemplo, que seu personagem (que é um NFT) em um jogo achou um baú que pode ser aberto para obter armas, armaduras e outros objetos valiosos, que também são NFTs. Todos os elementos desta cadeia NFT são combinados em uma longa cadeia de posse, que é muito mais fácil de interagir. O processo de envio de um NFT para outro funciona de forma idêntica ao envio para outra wallet. 

DiagramaDescrição gerada automaticamente

Isso também pode ser útil em coleções de NFTs criadas por um usuário, onde um pacote de NFTs pode ser vendido em vez de ser necessário que cada token seja listado individualmente.

Conclusão

O NFT é uma tecnologia relativamente nova, e as opções para usá-la estão evoluindo junto com suas capacidades técnicas. Eu apresentei apenas algumas funcionalidades interessantes trazidas pelo NFT 2.0, mas a lista é longa. Com seu conjunto de aplicações em expansão, o NFT 2.0 pode ser a ferramenta certa em um momento de crescente fusão de realidade virtual e física, em que as relações se tornam cada vez mais complexas.

As informações contidas neste texto são de responsabilidade exclusiva da autora e não necessariamente refletem as posições do Cointelegraph Brasil. Esta não é uma recomendação de investimento.

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Fonte: cointelegraph.com.br