Selic a 11,25% é ‘indecente’, diz Rogério Xavier, da SPX Capital


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Gestor vê excesso de restrição na taxa de juros brasileira; para os EUA, diz que corte pode vir em breve (Imagem: Shutterstock/Divulgação SPX – Montagem: Julia Shikota)

A estratégia do Banco Central (BC), comandado por Roberto Campos Neto, é criticada não só por setores do governo, mas do mercado, que veem um excesso de juros na aplicação da política monetária. É essa a visão de um dos mais conhecidos gestores do país, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital.

“Não tem necessidade, com a inflação atual [de 4,51%], o BC trabalhar com os juros a 11,25%. É indecente”, diz Xavier. As declarações foram dadas ao podcast do Market Makers, que vai ao ar nesta quinta, às 18h. 

A SPX Capital conta atualmente com R$ 60 bilhões em ativos sob gestão, atuando nos mercados de ações, multimercados, private equity, crédito e imobiliário.

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Ele vê a estratégia da autarquia brasileira como um padrão global. “É a estratégia que os bancos centrais têm perseguido, de mesmo cortando o juros, ficarem ainda restritivos”, diz, a exemplo do Federal Reserve (Fed).

Sobre a economia americana, Xavier vê uma possibilidade de corte nos juros em breve. “O Powell, em seu último discurso de pós-reunião, não mostra uma preocupação com uma atividade forte”, diz.

“O presidente do Fed fala que os números estão bons e precisam continuar bons, no caminho da meta da inflação. Acreditamos que em março a inflação vai atingir 2,4%, onde ele já poderia cortar juros, e em maio, a 2,3%”, afirma.

Diante dos cenários macroeconômicos, que devem melhorar com o corte de juros pelo Fed, Xavier vê o Brasil como “sardinha”.

“Não será protagonista: se o mundo for bem, ele vai bem; se for mal, ele vai mal”, diz. Em relação à política brasileira, o gestor vê o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma “grata surpresa”.

Já em relação ao presidente Lula, Xavier aponta que o presidente “não está velho, mas quer reviver ideias ruins do passado”, citando como exemplo a indicação de um nome político para o conselho da Vale (VALE3).

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China tem esgotamento de modelo mas pode beneficiar ocidente, diz gestor

Sobre uma das maiores economias do mundo, Xavier afirma que, enquanto “todo mundo está lutando contra inflação, a China está lutando contra deflação. Isso é a prova do esgotamento de modelo”.

Ele explica que no país não há mais demanda interna para os bens produzidos. “Ao invés de parar a produção, o governo chinês está ideologicamente mantendo o modelo antigo. O que fazer com os bens produzidos se ninguém comprará na China? Exporta”, diz.

No caso, vê um benefício na medida. “Com o excesso de oferta, ela vende a preços menores, gerando deflação. Para o ocidente, isso é maravilhoso, pois a China está vendendo produtos a um preço menor enquanto aqui estamos lutando para derrubar os preços”.

Segundo ele, “por isso, a China não é um problema para o mundo neste momento, pois esse esgotamento do modelo ajudará a derrubar os juros no ocidente”.



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