Região dos Lagos, no Rio, tem onda de calotes de empresas que diziam trabalhar com criptomoedas



Uma onda de calotes parece ter atingido a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e mais três empresas de investimentos em criptomoedas deixaram de pagar seus clientes nesta semana.

As empresas em questão são a ESA Consultoria & Investimentos, Oregon Enterprises e FCL Investimentos, que captaram clientes prometendo rendimentos mensais de 15% sobre o valor aportado. Os lucros supostamente viriam do investimento em criptomoedas, como o Bitcoin (BTC).

Da lista, a ESA Consultoria baseada em São Pedro da Aldeia (RJ) foi a primeira a fechar as portas na segunda-feira (11). De acordo com O Dia, o negócio era comandado por Su Goming, empresário conhecido como o “Chinês do Bitcoin” que também é dono de outras quatro empresas na região.

As informações descritas no CNPJ da Esa Consultoria apontam que a empresa foi registrada em março deste ano, e além do “Chinês do Bitcoin”, tem como sócios dois homens chamados André Gonçalves e Erlon Fernandes. 

Em um comunicado enviado aos clientes, os líderes da ESA Consultoria disseram que se viram obrigados a fechar o negócio “em razão da instabilidade do mercado, especialmente em decorrência dos últimos acontecimentos amplamente divulgados que abalaram a credibilidade de empresas similares desse segmento”.

O grupo alegou ainda que a decisão foi tomada para “respeitar os órgãos de fiscalização” e que alertou em contrato firmado com os clientes sobre o alto risco do mercado, “sensível às variações sociais”. A empresa afirmou que embora os clientes estejam reclamando da falta de pagamentos, todos os valores serão devolvidos no futuro.

Oregon Enterprises

Já na terça-feira (12), foi a vez dos clientes da Oregon Enterprises começarem a denunciar os atrasos de pagamentos da empresa que também prometia rendimentos de 15% no investimento em bitcoin.

Segundo o portal RLagos, a companhia confessou que estava com os pagamentos atrasados porque, “devido à demanda, tivemos que passar por uma auditoria e um novo gerenciamento de equipe do financeiro”. A Oregon garantiu que continua na ativa e que vai colocar os pagamentos “em dia”.

O histórico da empresa criada por Pedro Lui, ex-assessor de um vereador de Cabo Frio, coloca em dúvida a promessa. Em abril, os donos da Oregon Enterprises se tornaram alvos de uma investigação da Polícia Civil de Cabo Frio que suspeitava que o grupo aplicava golpes de pirâmide financeira. 

Naquela época, viralizou na internet um vídeo de Samuel Neves, um dos donos da Oregon Enterprises, em que ele se vangloria por captar mais de R$ 2 milhões em contratos em um único dia:

FCL Investimentos

Por fim, a FCL Investimentos, uma empresa de Armação dos Búzios (RJ) que também prometia lucros de 15% sobre o valor aportado, informou os clientes na quarta-feira (13) que não vai mais conseguir pagar os rendimentos após ter quatro contas bancárias bloqueadas.

No comunicado compartilhado no RLagos, um dos dos donos da empresa, Fábio Cruz, diz que “devido a força maior tivemos que paralisar a rentabilidade de todos nossos clientes”, mas prometeu devolver o dinheiro de todos no futuro:

“Já agilizamos com nossos traders um plano de devolução do capital aportado de todos que fazem parte da FCL. Estamos com o levantamento de devoluções de pagamento que pode durar de 30 a 120 dias”. 

Na nota, o grupo diz que o bloqueio de contas pode estar vinculado a investigações da Polícia Federal e Ministério Público “que vem monitorando contas bancárias de alto volume de movimentações”.

‘Novo Egito’ em queda

Já são quatro empresas da Região dos Lagos que prometiam um rendimento fixo em investimentos no mercado de criptomoedas que, em menos de uma semana, deixaram de pagar seus clientes. No domingo (10), a Decolar Investimento já havia fechado as portas e avisado os clientes que seria impossível devolver de forma integral o dinheiro de todos.

O efeito dominó teve início no final de agosto, quando Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó do Bitcoin” da GAS Consultoria, foi preso no âmbito da Operação Kryptos da Polícia Federal.

Após a queda da Gas Consultoria, diversas outras empresas suspeitas de operar uma pirâmide financeira começaram a cair uma atrás da outra. Além das quatro citadas anteriormente, a Alphabets e Eagle Eyes também são acusadas de dar calote em seus investidores.



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