Petrobras (PETR4) subiu o combustível, e agora? Companhia sai ganhando, mas brasileiro sente no bolso – Money Times


Petrobras
Petrolífera saíra ganhando, mas os brasileiros vão sentir a elevação no bolso, dizem especialistas (Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker)

A Petrobras (PETR3PETR4) anunciou na quinta-feira (10) o reajuste do preço dos combustíveis, em meio à disparada da cotação do petróleo no mercado internacional.

Com a revisão, o diesel subirá R$ 0,90 na refinaria, alta de 24,9%, a gasolina R$ 0,60 centavos, ou 18,7%, e o GLP R$ 0,62, em 16%.

Diante deste cenário, especialistas avaliam que a petrolífera sai ganhando ao mostrar independência e que não há sinais de interferência externa na companhia. Por outro lado, os brasileiros vão sentir as altas dos preços no bolso.

Brasileiros sentem a alta no bolso

Segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em termos diretos, a elevação relevante para o bolso do brasileiro é a da gasolina.

Como no preço da bomba o combustível representa cerca de 33%, o economista diz que a gasolina na bomba terá alta de cerca de 6,2%, um impacto de cerca de 40 bps no headline do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Além disso, o gás de botijão, que é composto por cerca de 50% de GLP, deve ter uma alta de 7,8% e impactar o IPCA em 11 bps.

A elevação do diesel também tem efeitos indiretos intensos, segundo Sanchez, e equivalem a uma alta de cerca de 20bps distribuídos ao longo do ano.

“Em suma, os reajustes da Petrobras, desconsiderando os efeitos sobre a paridade energética da gasolina e etanol, são de 71bps de IPCA”, afirma o economista-chefe da Ativa.

Petrobras sai ganhando

Para o UBS BB, o reajuste acima do previsto destaca a sólida governança da Petrobras e a política de preços livres, “apesar de todo o barulho dos últimos anos”.

O banco de investimentos mantém uma visão positiva para as ações da companhia e ainda enxerga uma distribuição sólida de dividendos e valorização descontada. Os analistas reiteram a compra do papel, com preço-alvo de R$ 44.

Diante de um cenário em que o petróleo Brent vale US$ 110 e de novos preços dos combustíveis, o UBS espera que a Petrobras entregue um ebitda de US$ 63,8 bilhões, com um rendimento do fluxo de caixa livre anual de 36%, levando a um dividend yield de 22%.

“A Petrobras obteve melhorias significativas nas frentes operacional e estratégica, com foco em downstream e principais ativos ultraprofundos e pré-sal, que apresentaram retornos sólidos”, afirma o UBS.

Por fim, o UBS estima que, com o reajuste e recuo nas referências internacionais de preços, a paridade da Refinaria de Paulínia na gasolina passe de 32% negativos para 12% negativos na segunda-feira (14). No diesel, a paridade deve diminuir para -5%, de -33%.

“Esperamos que esse nível de paridade, permita a importação em algumas localidades e garanta o fornecimento de combustíveis ao Brasil. Este nível, em nossa opinião, poderia ser favorável para grandes empresas de distribuição de combustíveis”, afirma o banco.

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