‘O custo e o risco do dinheiro em papel nas nossas vidas’, por Gustavo Noman, diretor da Visa no Brasil

Já parou para pensar que trocar o dinheiro em papel por meios de pagamento digitais pode, além de trazer benefícios financeiros para consumidores, empresas e governos, impactar de forma positiva o desempenho social e econômico de nossas cidades, com potencial de gerar mais renda, empregos e reduzir o risco de ações criminosas ligadas à circulação de cédulas e moedas?

Além de ser custoso e gerar entraves em termos de desenvolvimento econômico, manter o dinheiro em papel em circulação é um risco que poderíamos evitar. Estamos falando, no fim das contas, da segurança das pessoas que vivem em pequenos, médios e grandes centros urbanos no Brasil.

Vejo com preocupação notícias sobre agências bancárias que foram assaltadas em ações violentas, que deixaram os moradores locais acuados. Lembro que, em 2018, uma cidade do interior do Paraná, após suas agências serem alvo de criminosos, recebeu a primeira agência cashless do Brasil, adotando um conceito muito difundido nos EUA. O projeto-piloto, do qual a Visa participou ao lado do Sicredi, tinha o objetivo de promover a inclusão financeira e social num modelo em que tudo é feito pela internet, sem circulação de dinheiro: desde a abertura da conta à contratação de produtos e serviços.

Atualmente, outras nove agências na região seguem esse modelo. A digitalização, acelerada pela pandemia nos últimos meses, garante não apenas o distanciamento social, mas comodidade e segurança para a população. Claro que as agências tradicionais ainda devem existir por muito tempo, mas esse me parece um caminho promissor.

Países como a Suécia estão avançando para uma vida sem dinheiro e colhendo os benefícios. Por lá, o índice de pagamentos em dinheiro caiu de 39%, em 2010, para 9%, em 2020. É comum ouvir relatos de donos de restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais que deixaram de aceitar cédulas. E, como mais um sinal dessa evolução, o Banco Central do país europeu está em fase de testes para lançar a sua própria moeda digital (Central Bank Digital Currency), abrindo caminho para mais uma revolução.

Um estudo realizado pela Visa em 100 cidades do mundo, em parceria com a empresa de pesquisa Roubini ThoughtLab, dá insights para uma discussão mais profunda sobre o tema. A economia dos governos com despesas administrativas atreladas ao dinheiro em papel seria da ordem de 710 milhões de dólares, caso optassem pela adoção de pagamentos digitais. Assim como haveria um corte de despesa de mais de 50 milhões por ano ao reduzir crimes relacionados ao dinheiro.

Há uma impressão equivocada, se pensarmos em parte da população do país, de que o dinheiro em papel é isento de custo. Mas imagine que estão ali embutidas despesas com produção, segurança, transporte, manuseio, contagem, processamento, sem falar em taxas e impostos. Esse mesmo estudo mostra que, antes da pandemia, gastávamos mais de 7 horas por ano com idas ao banco e outras 6 horas para fazer saques em caixas eletrônicos.

A inovação chega para facilitar a vida das pessoas, tornar as cidades mais conectadas, gerar empregos, fomentar o desenvolvimento econômico e garantir a segurança dos cidadãos. Nesse aspecto, os meios de pagamentos digitais são um capacitador essencial de cidades inteligentes e trazem benefícios como:

  • Economia de tempo
  • Segurança: economia por redução das taxas de crime
  • Mais conveniência e agilidade
  • Maior controle das despesas financeiras
  • Diminuição de custo e tempo de processamento para comerciantes
  • Redução de custo para a confecção do dinheiro em espécie para os governos

Apesar de morarmos num país em que a cultura do dinheiro ainda predomina em algumas situações e regiões, vejo com bons olhos um avanço na migração para o universo digital que, sobretudo no último ano, deu um salto. A pandemia acelerou a digitalização da indústria de pagamento em 2 anos, de acordo com estudo da empresa de pesquisa Insider Intelligence. O pagamento por aproximação, por sua vez, cresceu cinco vezes entre junho de 2020 e junho de 2021. Já é possível usá-lo, por exemplo, nos pedágios de algumas rodovias de São Paulo e Rio de Janeiro, em trens, em barcas, no metrô e em ônibus. Muito mais praticidade e segurança.

Quando analisamos os riscos de manter tanto dinheiro em papel circulando, sendo transportado em carros-fortes ou armazenados dentro das agências bancárias, acredito que esse movimento ganha ainda mais força. Enxergar esse potencial e criar um espaço para a inovação é o primeiro passo rumo a um futuro sem dinheiro.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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