NFT.Rio promove exposição interativa para conectar Brasil à cena global de arte digital em NFT


Com o propósito de conectar o Brasil e os artistas locais à cena internacional do mercado de tokens não fungíveis, o NFT.Rio vai reunir criações de cem artistas em uma exposição interativa que acontecerá no Parque Lage, no Rio de Janeiro, entre 30 de junho e 3 de julho.

A primeira exposição internacional dedicada exclusivamente aos tokens não fungíveis realizada no Brasil terá como foco a arte digital em NFT, reunindo aproximadamente 1.000 obras de artistas eminentes, como XCopy, e projetos consagrados, como o Art Blocks. O NFT.Rio também vai apresentar o acervo de colecionadores ilustres, como o rapper norte-americano Snoop Dogg (aka Cozomo de’ Medici), que preparou uma seleção de sua coleção particular especialmente para exibição no evento.

Ao longo dos quatro dias do evento, uma programação paralela vai reunir artistas e especialistas em painéis, workshops e eventos e masterclass que vão ampliar os debates abordando as potencialidades da tecnologia subjacente aos NFTs em outros campos da cultura contemporânea, como games, a música, esportes, metaverso, comunidades digitais e DAOs (organizações autônomas descentralizadas).

Entre os principais destaques haverá uma masterclass com a equipe do ArtBlocks, o principal projeto de arte generativa em NFT do mercado, um debate sobre aplicações de NFTs no campo esportivo, que vai reunir o skatista Bob Burnquist e o Felipe Ribbe, head de desenvolvimento para o Brasil da Socios.com, e uma discussão sobre os impactos dos NFTs sobre a distribuição e a comercialização musical, com a presença do músico e compositor André Abujamra, que também é embaixador da Phonogram.me, a primeira plataforma brasileira dedicada a NFTs voltados à música.

Em uma entrevista exclusiva para o Cointelegraph Brasil, o idealizador do NFT.Rio, Marcus MPC, explicou que o projeto surgiu a partir de suas experiências como fundador do CryptoRastas, projeto brasileiro de NFTs que une a cultura do reggae com a estética dos CryptoPunks, a partir da inspiração do NFT.NYC, evento pioneiro do gênero, que acabou ganhando desdobramentos independentes em diversas capitais culturais os EUA e da Europa, como Los Angeles, Berlim, Paris e Amsterdã:

“O grande objetivo do evento é essa via de mão dupla de agir localmente pensando globalmente. Uma das principais motivações para criar o NFT.Rio é ver os artistas brasileiros colocados nessa cena global. “

O NFT.Rio foi idealizado como uma forma de reunir alguns agentes importantes do mercado internacional com a comunidade de criadores e colecionadores brasileiros em um espaço tradicionalmente aberto à experimentação no campo da arte contemporânea. O Parque Lage abriga uma das mais importantes escolas de artes visuais do Rio de Janeiro. Não por acaso, foi escolhido para abrigar a exposição, procurando atrair um público amplo, incluindo aqueles que ainda não têm familiaridade com os NFTs, explica Marcus MPC:

“A nossa missão é apresentar a cultura NFT a uma nova e ampla audiência, bem como ajudar a empoderar os criadores brasileiros na cena global. Escolhemos o Parque Lage por ser um espaço de referência da arte no país e um cartão postal da cidade”.

O espaço expositivo será dividido em três ambientes. O primeiro é dedicado especialmente aos novatos e terá uma perspectiva didática. Os visitantes terão a oportunidade de entender o contexto cultural e tecnológico no qual os NFTs se desenvolveram, a partir da criação do Bitcoin (BTC) e da evolução das redes blockchain.

O segundo ambiente reúne as obras propriamente ditas que poderão ser acessadas através de dispositivos interativos. Os destaques da cena nacional ficam por conta de Uno de Oliveira, Fesq e Mike Deodato, cujas obras estarão acessíveis ao lado de artistas internacionais consagrados como os norte-americanos XCopy e Justin Aversano, e o mexicano Carlos Marcial. Itens das principais coleções de NFTs do mercado, como Bored Ape Yacht Club (BAYC) e CryptoPunks também tomarão parte da exposição.

Double Sized – Fesq. Fonte: NFT.Rio (Divulgação)

Por fim, os usuários poderão interagir com parte dos NFTs selecionados para o NFT.Rio em um ambiente imersivo baseado em realidade virtual. Paralelamente ao evento no Parque Lage, o público também terá a oportunidade de visitar o NFT.Rio em um metaverso na plataforma Cryptovoxels, afirmou Marcus MPC:

“Um pouco antes da abertura oficial da exposição, a gente vai abrir o nosso espaço no metaverso. A gente fez uma réplica do Parque Lage no Cryptovoxels, onde parte das obras vão estar expostas, além de algumas ações específicas ainda a serem divulgadas.”

NFTs tomam conta da cidade

O NFT.Rio fechou uma parceria com a Eletromídia para espalhar os NFTs por pontos diversos do Rio de Janeiro para procurar incentivar o interesse e a popularização dos tokens não fungíveis entre os cariocas, afirmou o idealizador da exposição:

” Embora o Brasil tenha comunidades de NFTs muito ativas, ainda há um número enorme de pessoas a serem alcançadas. Muita gente ainda não entende o que é um NFT, ou então nunca nem sequer ouviu falar nisso. Nos próximos dias e semanas, todo mundo vai deparar com um NFT por aí, e isso vai ser um marco para a nossa cena nacional, posicionando o Brasil na cena global.”

O NFT.Rio acontece em um momento em que o mercado de tokens não fungíveis está sendo impactado pelo cenário macroeconômico global desfavorável e pela queda das criptomoedas. A capitalização de mercado e o preço-base das principais coleções de NFTs estão em baixa e o volume movimentado pelo mercado também.

Isso, no entanto, não deve fazer com que o interesse pelo tema diminua, acredita Marcus MPC. O idealizador do NFT.Rio e criador dos CryptoRastas vê esse movimento de recuo do mercado como algo natural após a explosão do ano passado.

Ao contrário, Marcus MPC acredita que o esfriamento momentâneo do mercado pode acabar sendo benéfico no longo prazo para a maturidade do mercado e dos ecossistemas em torno dos quais os NFTs vêm se desenvolvendo:

“De certa forma, era uma coisa esperada. Quando era novidade teve um boom. O pessoal chama de bolha, mas eu acho que é mais do que uma bolha. Quando uma coisa é uma novidade é natural que desperte grande interesse e tenha mais procura. Depois diminui um pouco e isso é natural. Depois que o hype acaba, esse interesse superficial diminui, mas as pessoas que fazem parte do ecossistema, os criadores e colecionadores permanecem construindo. Enquanto que as pessoas que estavam ali só para especular e fazer um dinheiro fácil, surfando a onda, elas vão abandonando. O mercado vai ficando mais depurado e isso é algo positivo.”

O espaço expositivo do NFT.Rio terá entrada gratuita. Já os debates, workshops e masterclasses poderão ser assistidos mediante pagamento de ingresso.

Os ingressos são vendidos em duas modalidades: por dia, que dá acesso a todos os eventos paralelos em uma data específica, e custa R$ 120; ou um combo que dá acesso à programação completa dos quatro dias do NFT.Rio e custa R$ 400. Quem adquirir qualquer ingresso ganhará dois NFTs do Mercado Bitcoin, que é o patrocinador master do evento.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Brasil ficou em segundo lugar em um ranking global de adoção de NFTs compilado pela Statista, com quase cinco milhões de usuários.

LEIA MAIS





Fonte: cointelegraph.com.br