Memórias de luxo e riqueza da ‘Cryptoqueen’ e do golpe da OneCoin são recuperadas em cobertura de R$ 100 milhões em Londres

O julgamento de um processo por lavagem de dinheiro na Alemanha reacendeu as memórias sobre Ruja Ignatova, a búlgara que ficou conhecida como “Cryptoqueen” por aplicar um dos mais famosos golpes da história do mercado de criptomoedas e depois desaparecer da face da terra.

Ignatova acumulou bilhões de dólares com a venda de uma criptomoeda que jamais chegou a existir de fato. A OneCoin foi lançada em 2014 e até março de 2017 arrecadara pelo menos £ 4 bilhões (R$ 30 bilhões), segundo uma investigação do FBI.

Assim fez-se a lenda da Rainha Cripto. No auge da fama, ela chegou a promover um evento no estádio de Wembley, em Londres, no qual apresentou a OneCoin como “assassina do Bitcoin“.

Na realidade, a OneCoin não tinha uma blockchain para ser transacionada e portanto não era uma criptomoeda. Tudo não passou de fachada para um golpe: a plataforma era um servidor SQL com uma base de dados.

Em setembro, o advogado alemão de Ignatova, Martin Breidenbach, foi a julgamento em Münster, na Alemanha, acusado de lavagem de dinheiro por transferir € 20 milhões (R$ 128 milhões) para um escritório de advocacia em Londres para financiar a compra de uma cobertura de alto luxo, em Kensington, bairro nobre de Londres, informou uma reportagem da BBC. O apartamento de 650 metros quadrados está avaliado em £ 13,5 milhões (R$ 100 milhões).

A compra do imóvel foi efetuada por empresas de propriedade de Ignatova em conjunto com o Grupo Aquitaine, uma companhia da Ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha, que serve de paraíso fiscal para os super ricos. A real proprietária do imóvel só foi revelada agora em função do julgamento na Alemanha.

A escritura da cobertura indica que o proprietário do imóvel é a Abbots House Penthouse Limited —uma das 12 mil empresas de fachada de Guernsey cujos anônimos proprietários possuem propriedades na Inglaterra e no País de Gales. O nome da “Cryptoqueen” não aparece nem na escritura britânica nem nos registros públicos do paraíso fiscal.

Ignatova pouco usufruiu da propriedade, de acordo com vizinhos e trabalhadores do condomínio ouvidos pela reportagem. Em 2016, a “Cryptoqueen” pretendia fixar residência em Londres e a cobertura seria o seu endereço. Ela abriu um escritório comercial na capital inglesa e fechou o Victoria & Albert Museum para comemorar o seu aniversário de 36 anos.

Porém, o apartamento nem chegou a ser completamente mobiliado, segundo relatos. Em 2017, à medida que o cerco sobre a OneCoin se fechava, ela sequer o teria visitado. No final de outubro, Ignatova embarcou em um voo da Ryan Air, de Sófia, na sua Bulgária natal, para Atenas, na Grécia. Após o desembarque, ela desapareceu e nunca mais foi localizada.

No interior do apartamento restaram obras de arte e artigos de alto luxo reveladores da vida opulenta que a “Cryptoqueen” sustentava com sua criptomoeda fictícia. Um dos zeladores do prédio que ficou responsável por abrir o apartamento de vez em quando por arejá-lo, conta que as paredes ostentavam quadros de eminentes artistas contemporâneos, como “Lenin Vermelho”, de Andy Warhol, e “Queen Bubllegum”, de Michael Moebius. 

Certa vez, contou o zelador à reportagem, ele resolveu dar uma circulada pelos aposentos da cobertura e encontrou um dos retratos de Liz Taylor produzidos por Andy Warhol abandonado em um armário. Ex-estudante de artes, ele ficou chocado com o destino da obra. A revista britânica Private Eye estimou que o apartamento continha obras de arte no valor de £ 500.000 (R$ 3,75 milhões), adquiridas em uma galeria de arte de Londres.

Depois do desaparecimento de Ignatova, algumas pessoas teriam passado pelo apartamento. Entre eles, Frank Schneider, o chefe de segurança de Ignatova, e Konstantin Ignatov, irmão da rainha cripto que assumiu a OneCoin depois do sumiço dela. Hoje, ambos estão presos, sendo que Konstantin é acusado por crime de formação de quadrilha.

Em 2019, houve tentativas de vender o apartamento, mas o negócio não chegou a ser consumado. Hoje, o apartamento está alugado. O destino das roupas de luxo, joias, sapatos e de parte das obras de arte permanece um mistério.

Vítimas da OneCoin

A descoberta da conexão entre Ignatova e tais bens foi recebida como um alento para as vítimas da OneCoin. Recursos obtidos com a venda do espólio da “Cryptoqueen” poderiam ser utilizada para ressarcir os investidores lesados pelo esquema. Estima-se que apenas no Reino Unido as vítimas de Ignatova tenham sofrido prejuízos da ordem de £ 100 milhões (R$ 750 milhões).

No entanto, os complexos meandros jurídicos da estrutura empresarial montada por Ignatova e seus advogados podem dificultar a obtenção de provas conclusivas de que a “Cryptoqueen” é a proprietária legal dos bens e imóveis.

A defensora das vítimas, Jen McAdam, lamentou pela notícia de que advogados, gerentes de bens de offshores e corretores de imóveis no Reino Unido estavam envolvidos em um esquema para proteger Ignatova. Ela ainda criticou a polícia londrina por ter encerrado as investigações sobre o caso em setembro de 2019 sem apresentar qualquer acusação formal contra os envolvidos na fraude.

Ruja Ignatova virou uma lenda do mercado de criptomoedas e tornou-se personagem do podcast “The Missing Cryptoqueen”. Além disso, sua história deve ganhar as telas de cinema e de televisão em um futuro breve, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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