Ibiuna adota mantra ‘cauteloso’ e evita aposta grande em Brasil – Money Times


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A Ibiuna, fundada em 2010 por dois ex-diretores do Banco Central, tem operado com exposição reduzida aos ativos domésticos em termos relativos (Imagem: Pixabay)

Uma das maiores gestoras de recursos independentes do Brasil com mais de R$ 30 bilhões em ativos, a Ibiuna Investimentos tem seguido à risca um mesmo mantra antes da eleição presidencial do país: adotar uma postura “cautelosa e defensiva”.

A Ibiuna, fundada em 2010 por dois ex-diretores do Banco Central, tem operado com exposição reduzida aos ativos domésticos em termos relativos, em meio à incerteza sobre qual será a política fiscal e econômica vigente a partir do ano que vem.

Nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –– que lidera as pesquisas de opinião — nem o presidente Jair Bolsonaro devem dar grandes sinalizações sobre os seus planos antes de outubro, segundo Rodrigo Azevedo, sócio-fundador da gestora.

“Não há visibilidade para fazer uma aposta grande em Brasil neste momento”, disse Azevedo, que foi diretor de política monetária do BC entre 2004 e 2007. “As coisas podem balançar muito por aqui, e, ao mesmo tempo, vemos um monte de oportunidade quando olhamos para o resto do mundo.”

Enquanto os preços dos ativos parecem atrativos — a bolsa brasileira negocia no menor múltiplo desde 2008 e a curva de juros futuros sugere que a Selic ficará acima de 12% pelos próximos 12 meses –, as apostas construtivas são contrabalançadas por dúvidas sobre a trajetória fiscal do Brasil e perspectiva de volatilidade elevada durante a corrida eleitoral.

Lula, que tem mantido uma vantagem sobre Bolsonaro nas pesquisas recentes, ainda não deu muitos detalhes sobre suas propostas econômicas. Enquanto o ex-presidente tem defendido um aumento nos gastos públicos e a revisão de algumas reformas aprovadas nos anos recentes, aliados dizem que ele será fiscalmente responsável. Alguns investidores concordam, apostando que o pragmatismo de Lula deverá prevalecer.

A recente onda de gastos do governo Bolsonaro, por outro lado, levanta dúvidas sobre se a agenda de austeridade defendida pelo ministro da Economia Paulo Guedes perderá espaço em um segundo mandato. Na última sexta-feira, os juros futuros dispararam após o anúncio de uma nova versão da PEC dos combustíveis com impacto fiscal de R$ 34,8 bilhões.

Os questionamentos têm ajudado a levar o prêmio de risco do Brasil medido pelo CDS de cinco anos para o maior nível em cerca de 24 meses.

“Tem tanto prêmio no Brasil ainda que dá até para perder o primeiro movimento”, disse Mário Torós, que substituiu Azevedo no BC e também é sócio-fundador da Ibiuna.

A Ibiuna apostou na alta das taxas de juros em países como México, República Tcheca, Polônia e Alemanha, dada a visão de que os formuladores de política monetária precisariam correr para vencer a luta contra a inflação.

Tem funcionado: o fundo foi um daqueles que tiveram fortes ganhos com a antecipação da escalada dos yields nos Estados Unidos no começo do ano.

Enquanto a posição nos EUA foi reduzida, ainda há espaço para tomar juros em algumas geografias, segundo Azevedo.

As posições da Ibiuna estão mais concentradas em economias desenvolvidas, ele disse, adicionando que o próximo grande debate deve ser quando será hora de virar a mão.

“Há uma chance grande de eu estar bastante aplicado em 2023, mas a história básica é como eu navego esses próximos seis meses, e aí está um pouco ‘data dependent’”, disse Azevedo. “A nossa percepção é de que a inflação fez o pico, mas, na hora em que ela cair, você vai descobrir que ela vai cair muito menos — precisando de uma ação mais incisiva do banco central ainda.”

A Ibiuna, que tem um time de cerca de 60 pessoas, recentemente contratou o ex-Verde Asset Management e O3 Capital Noman Khan para sua estratégia macro. O fundo multimercado carro-chefe da casa subiu 25% nos últimos 12 meses, mais do que o triplo do retorno de uma cesta de pares locais.

“A eleição amplifica as incertezas de maneira gigante, e não sabemos quem vai ganhar, nem o que o vencedor vai fazer”, disse Azevedo. “Em algum momento, haverá um posicionamento — e vamos descobrir se é bom ou ruim. Até lá, a gente espera.”

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