GAS Consultoria orientava clientes a ocultar investimentos em criptomoedas – casal do DF teria lavado R$ 281,7 milhões em BTC


Denúncia do MPF revela que a empresa de Glaidson Acácio dos Santos instruía que seus clientes não mencionassem investimentos em criptomoedas ao lidar com instituições bancárias.

A denúncia do Ministério Público Federal contra Glaidson Acácio dos Santos mostra que a GAS Consultoria Bitcoin orientava expressamente, em ficha cadastral anexada ao contrato, que os clientes omitissem referências a investimentos em criptomoedas ao fazer transferências interbancárias de fundos para as contas da empresa, informou reportagem do O Globo na sexta-feira.

Um texto de orientação direcionado aos consultores responsáveis pela captação de investidores diz: “Informar ao cliente que no momento da transferência NÃO deverá ser mencionado descrição que faça alguma referência a Bitcoin, criptomoedas, criptos, investimentos, BTC.”

A determinação teria sido instituída depois que algumas contas de Glaidson e da GAS Consultoria foram bloqueadas no primeiro semestre deste ano, sob alegação de movimentações financeiras suspeitas.

Em uma mensagem direcionada aos clientes anexada à denúncia, a empresa justifica a orientação pelo fato de os bancos estarem criando dificuldades para qualquer tipo de transação relacionada a criptomoedas, pois estariam “perdendo mercado na área de investimentos” para essa nova classe de ativos.

No contrato de investimento consta ainda uma cláusula determinando que o repasse de informações a gerentes e funcionários das instituições financeiras poderia implicar em rescisão contratual e devolução do valor investido, informa a reportagem.

Núcleo Brasília

A denúncia do MPF também revelou mais detalhes acerca do núcleo de Brasília da GAS Consultoria, comandado pelo casal Felipe José Silva Novais e Kamila Martins Novais. Eles teriam movimentado R$ 281,7 milhões e se valeram de duas empresas para lavar os valores, entre elas um escritório de advocacia, informou reportagem do site Metrópoles.

Planilhas encontradas pela Polícia Federal durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, apontam que a dupla conseguiu captar 3.222 clientes até novembro do ano passado e, por isso, em dois anos de serviços prestados, receberam cerca de R$ 80 milhões de comissão. Enquanto isso, de acordo com as planilhas, a maioria dos clientes sofreu prejuízos com os investimentos realizados, informa a reportagem.

A investigação revela que, entre 2016 e 2020, a movimentação financeira do casal Novais saltou de aproximadamente R$ 217,4 mil para R$ 16,9 milhões. No mesmo período, o patrimônio total da dupla subiu de R$ 244 mil para cerca de R$ 2,28 milhões.

Conforme o Cointelegraph Brasil noticiou recentemente, o dono da GAS Consultoria, Glaidson Acácio dos Santos, sua mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa, o casal Novais e outros 13 acusados no âmbito da “Operação Kryptos” viraram réus na terça-feira, depois que o juiz Vitor Valpuesta, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, aceitou a denúncia que os incrimina por fraudes contra o sistema financeiro nacional.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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