‘Faraó dos Bitcoins’ suspende suposto plano de ressarcimento dos clientes da GAS Consultoria, afirma ex-advogada de Mirelis Zerpa

O suposto plano de ressarcimento dos clientes lesados no caso da GAS Consultoria Bitcoin que vem sendo publicamente discutido desde o início deste ano não deve ser executado tão cedo, afirmou a advogada Mônica Coelho Lemos em uma transmissão ao vivo realizada no Instagram na última quarta-feira. 

Ainda durante a transmissão, a advogada, que também é cliente da GAS Consultoria, anunciou que estava deixando a defesa de Mirelis Zerpa, mulher e sócia de Glaidson dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, que está foragida da Justiça desde agosto do ano passado.

Em 24 de janeiro, Lemos havia participado de uma transmissão ao vivo no Instagram para anunciar que a GAS iria apresentar à Justiça um plano de compensação aos clientes. No entanto, apenas alguns dias depois ela foi desmentida por um comunicado oficial da empresa. A nota afirmava que apesar de haver a disposição de ressarcir os investidores, o plano ainda estaria em fase de elaboração.

Na live desta quarta-feira, a advogada afirmou que a situação não deverá se resolver tão cedo e que o encaminhamento do plano não ocorrera por uma determinação expressa do próprio Glaidson. Ainda segundo ela, tanto Glaidson quanto Mirelis “em todas as circunstâncias” garantiram a ela que possuíam “ativos suficientes para [realizar] o pagamento dos clientes”. “Há condições de pagar a todos, mas há um impeditivo jurídico para isso”, afirmou.

A advogada disse ainda que a defesa estava trabalhando na elaboração da proposta com vistas a convencer a Justiça a desbloquear os bens da empresa para que o plano pudesse ser executado. Ela sugeriu ainda que sua ex-cliente mostrara-se disposta a ir adiante com a proposta, mas o marido, não:

“Em momento algum nós enganamos alguém. Havia sim, uma intenção, um plano de pagamento em elaboração, praticamente pronto para ser apresentado. Todos sabemos que a dona Mirelis não é administradora da empresa. Embora seja a pessoa que está com margem de manobra aqui fora, ela não pode decidir isso sozinha. Eu via na senhora Mirelis uma vontade muito grande de pagar, de honrar. Porém, essa decisão não dependia apenas dela. E acho que ficou claro [quem tomou a decisão]. Diante das circunstâncias, até esse presente momento, o plano de pagamentos está suspenso.”

Durante a transmissão, a advogada relatou  que, ao ingressar no caso, viu em Mirelis “uma pessoa indefesa” e “talvez fragilizada”, e que “sentiu muita vontade de fazer algo para colaborar”. Lemos tornara-se advogada de Mirelis por ser ela própria investidora da GAS Consultoria. Antes de ser convidada a assumir a defesa da ré, ela havia organizado uma associação de clientes lesados pela empresa.  Assim, desde o primeiro momento em que ela foi anunciada como representante de Mirelis perante a Justiça houveram questionamentos sobre um suposto conflito de interesses. 

Lemos deixa a defesa de Mirelis uma semana depois que ela própria tornou-se alvo de uma ação coletiva movida contra a GAS pela Associação Nacional Centro da Cidadania em Defesa do Consumidor e Trabalhador (Acecont). Segundo a denúncia da associação, a advogada é casada com um consultor da GAS Consultoria e também é sócia de um suspeito foragido em uma das muitas empresas utilizadas pelo esquema montado pela organização comandado por Glaidson e Mirelis. Lemos não se pronunciou a respeito de tais acusações durante a transmissão.

O caso GAS Consultoria

O casal Glaidson dos Santos e Mirellis Zerpa é acusado de organizar um esquema de pirâmide financeira sob a fachada da empresa de investimentos em criptomoedas GAS Consultoria. A organização criminosa foi desarticulada em agosto do ano passado com a deflagração da Operação Kryptos.

Em 25 de agosto, Glaidson dos Santos foi preso em uma ação que resultou na maior apreensão de criptomoedas da história do Brasil. Mirelis fugira alguns dias antes. Seu destino inicial teria sido Miami, no estado da Florida, nos EUA. De acordo com as investigações, o esquema montado pelo casal teria movimentado R$ 38 bilhões e afetado no mínimo 67.000 investidores.

Glaidson, Mirelis e outros 15 réus são acusados por crimes de crimes de gestão de organização financeira sem autorização, gestão fraudulenta e organização criminosa na denúncia formal do caso apresentada pelo Ministério Público Federal em outubro do ano passado.

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Fonte: cointelegraph.com.br