Ex-atriz da Record casada com líder da GAS Consultoria tentou enfrentar policiais federais


A operação Kryptos teve momentos dignos de cinema, como apreensões de malas de dinheiro em helipontos e grampos do dono da GAS Consultoria mandando prender jornalistas.

Mas uma parte da investigação poderia ser de fato uma cena de novela, ainda mais por envolver uma profissional do ramo: a apreensão de um celular de Michael de Souza Magno, marido da atriz Juliana Kelling, que fez algumas novelas na TV Record (encarnou Neziá em “A Terra Prometida”).

O episódio é narrado no relatório obtido pelo Portal do Bitcoin que Polícia Federal fez ao indiciar Glaidson Acácio dos Santos, dono da GAS Consultoria, e mais 21 pessoas.

Kelling (nome artístico, pois batizada como Juliana Patrícia da Silva) não é uma das indiciadas pela PF. Mas seu marido sim, suspeito de crime contra o sistema financeiro e participação em organização criminosa. Michael é apontado como um dos grandes operadores da gigantesca pirâmide financeira.

O cenário onde tudo se passou é uma unidade da rede de condomínio Alphaville, na Grande São Paulo. É para a elite paulista o que o Leblon foi para a alta classe carioca nas novelas de Manoel Carlos.

A equipe 14 da PF tinha um mandado de busca e apreensão para ser feito na residência de Álvaro Caetano da Silva Junior, onde também estava o casal Michael e Juliana. Logo após chegar à residência, os policiais pediram um celular que estava em posse de Michael. Nesse momento Juliana se põe a gritar, pega celular e tenta impedir que os policiais o confisquem.

Os policiais tiveram que puxar das mãos de Juliana o celular.

O celular prateado

A busca continuou e as autoridades perceberam que Michael não desgrudava de um outro celular, este prateado. Suspeitando que o celular poderia ser do alvo, mas, apenas, estar em nome de Juliana, o chefe de equipe ligou para o coordenador da operação explicando a situação e perguntando se apreendia ou não o aparelho.

A chefia da PF deu sinal verde: era para apreender o celular. Foi aí que começou um “verdadeiro caos” nas palavras dos presentes. Juliana disse que o celular era dela e que não iria entregar. Começou a empurrar os policiais e se negou firmemente a dar o smartphone.

O chefe da equipe da PF então sacou sua arma, apontou para o chão e disse: “Eu vou apreender este celular de uma maneira ou de outra”.

Mas Juliana ainda não tinha desistido. Saiu em disparada em direção à piscina, tendo sido alcançada por dois policiais. Novamente, ela não entregou: os policiais tiveram que arrancar das mãos dela.

O vizinho fofoqueiro

O tom novelesco continuou. O vizinho apareceu na cena e disse à Polícia Federal que Álvaro estaria envolvido em crime de pirâmide e que os veículos que estavam na garagem pertenciam a uma organização criminosa.

Os policiais então foram conversar com o vizinho. Este disse que o condomínio todo sabe que o dono do imóvel, Álvaro Caetano da Silva, está envolvido em esquema de pirâmide e que as reuniões da organização criminosa ocorriam muitas vezes ali.

Para finalizar, o vizinho revelou a inconfidência mais retumbante do dia: disse que Álvaro tinha um Celta dos anos 90 antes de trocar por carros de luxo (o que só ocorreu após o início das reuniões).

Juliana (segunda da esquerda para direita) com o onipresente Ronaldinho Gaúcho (Reprodução/Facebook)

Glaidson preso

Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó do Bitcoin”, dono da GAS Consultoria, está preso desde o dia 25 de agosto. Ele foi indiciado pela Polícia Federal por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro. Além do executivo, mais 21 pessoas também são agora formalmente acusadas pela PF de atividades ilícitas ao agir no mercado de criptomoedas. O Ministério Público Federal irá agora decidir se apresemnta denúncia.

A venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, mulher de Glaidson e sócia da GAS Consultoria, é uma das indiciadas. Ela é considerada foragida pela Justiça, está na lista de procurador da Interpol. Enquanto isso, o “Faraó” está preso desde o dia 25 de agosto, após a realização da Operação Kryptos pela Polícia Federal.

Operação Kryptos foi deflagrada em decorrência de denúncias da CVM e Ministério Público. Em sua primeira batida, encontrou na casa de Glaidson várias malas de dinheiro, carros de luxo, joias e 591 bitcoins.

A GAS Consultoria já parou de pagar seus clientes, alegando impossibilidade pelo fato de a Justiça ter ordenado o bloqueio de R$ 38 bilhões em ativos da empresa. No dia 15 de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) anunciou que autorizou a venda de R$ 150 milhões em bitcoin apreendidos de Glaidson.

A pirâmide da GAS Consultoria

Glaidson começou a operar com criptomoedas em 2014, quando trabalhava como garçom. Em pouco tempo criou a empresa, alardeando o ‘fantástico investimento sem risco’. Prometia retorno de 10% ao mês, como uma caixa mágica na qual você apenas coloca o dinheiro, nunca perde e ainda ganha mensalmente.

A empresa formada por Glaidson foi registrada como G.A.S Consultoria e tem patrimônio de R$ 75 milhões, sendo registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro. Glaidosn possui 80% de participação e o restante é de sua mulher, a venezuelana Mirelis Yoseline Zerpa, que é considerada foragida pela Justiça.

Justiça confirma prisão

A Justiça já negou dois pedidos de Habeas Corpus feitos pela defea de Glaidson, sendo a última decisão tomada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), última instância antes do Supremo Tribunal Federal. O desembargador Jesuíno Rissato, da quinta turma do STJ negou o HC apontando indícios de movimentações financeiras atípicas que chegariam a bilhões de reais, valores que estariam sendo remetidos ao exterior.

Conforme explica o STJ, isso é “uma possível forma de ocultar o patrimônio investigado”. O juiz também considerou o potencial risco de fuga dos investigados e a possibilidade de “lesão irreversível aos investidores”.



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