ETFs de Bitcoin e a intersecção dos universos financeiros



Na quarta-feira, 20 de outubro, a cotação do Bitcoin atingiu sua nova máxima histórica (R$ 366 mil no Brasil), um dia depois do lançamento do ProShares Bitcoin Strategy ETF na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Foi a criação do produto que empurrou para cima o valor da moeda ou foi seu potencial de valorização um fator positivo para que o projeto recebesse o amém dos órgãos reguladores?

Seja qual for o motivo, a estreia na NYSE do primeiro ETF atrelado ao futuro do Bitcoin é um importante marco para a comunidade cripto global. Esse avanço sinaliza o abrandamento da resistência às criptomoedas pelo mercado tradicional (a intersecção é um caminho sem volta) e pode dar impulso extra às cotações.

Um dos benefícios do produto é o ganho de versatilidade significativo para os investidores.  Torna-se mais fácil, e viável, a implementação de estratégias mais sofisticadas de investimento utilizando-se dos contratos futuros através do ETF.

Uma das práticas que deve ter um impulso com a negociação do ProShares Bitcoin Strategy ETF é o chamado “cash and carry”, que consiste na compra de um ativo no mercado à vista (spot) e a realização de uma operação contrária no mercado futuro, quando há um descolamento dos preços nestes dois mercados.

Desta forma, mitiga-se o risco direcional, e o investidor ganha com a diferença dos preços. Esta é apenas uma das estratégias que os contratos futuros trazem e, por consequência, que os ETFs desta modalidade trazem para os investidores.  

ETFs de Bitcoin na SEC

Vale fazer uma breve retrospectiva até chegarmos até aqui: a expectativa da aprovação de um ETF de Bitcoin vem desde 2018, a reboque da alta da criptomoeda no ano anterior e do consequente crescimento de interesse dos grandes investidores.

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) frustrou a indústria de fundos, ao rejeitar sequencialmente todas as propostas que chegavam à sua mesa, sob a alegação de temer eventuais manipulações de mercado.

Enquanto o xerife do mercado americano não baixava a guarda em relação ao segmento, as exchanges e fundos começavam a adotar ferramentas de custódia e de exposição de investidores institucionais, como os contratos futuros, com o objetivo de reter a atenção dos institucionais e de quem mais estava disposto a embarcar no universo cripto.

Ao mesmo tempo, os agentes envolvidos fizeram esforços regulatórios que garantissem a transparência ao mercado. Esses fatores nos trouxeram até aqui. 

O ProShares Bitcoin Strategy ETF foi apenas o primeiro da modalidade a ser aprovado. Seu desempenho deve abrir portas para a aprovação de outros produtos pela SEC, impulsionar a indústria e popularizar de vez o investimento em criptomoedas, seja por meio de instrumentos, como o próprio ETF, ou mesmo via exchanges.

De qualquer forma, é um movimento que não pode ser ignorado. 

Sobre o autor

Luiz Oliveira é especialista em criptoativos do Mercado Bitcoin



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