É mais um choque de demanda do que de oferta, afirma a Bridgewater –


Muito tem se comentado na mídia que as causas da inflação global são oriundas de problemas de oferta (escassez de produtos, de mão de obra, e em razão de atrasos em entregas), e não de demanda.

Essa narrativa virou praticamente um consenso.

A Bridgewater tem outra perspectiva sobre o tema.

Para eles, a inflação atual decorre de um excesso de demanda que, por sua vez, deriva da injeção maciça de dinheiro nas economias, pelo que ficou conhecido como “Monetary Policy 3” (MP3).

MP3

A MP3 (“Monetary Policy 3”) criou uma explosão de demanda que não está sendo acompanhada pela oferta.

Em outras palavras, o MP3 cria demanda sem criar oferta.

O MP3, visto em resposta à pandemia, mais do que compensou as receitas perdidas devido a paralisações generalizadas, sem compensar o suprimento que essas receitas vinham produzindo.

Isso é muito diferente do MP2 (pós-crise financeira), onde o QE (Quantitative Easing, ou “Afrouxamento Monetário”), em geral, não foi acompanhado por um estímulo fiscal significativo, mas compensou uma contração do crédito e, como resultado, não foi inflacionário.

Análise

Segundo análise da empresa, famílias receberam mais do que perderam com a pandemia, causando um excesso de capital acumulado a ser gasto e despejado na economia.

No gráfico abaixo, vê-se como a demanda aumentou mais que a produção, a níveis similares à hiperinflação dos anos 80. E não houve o reinvestimento em capex para acompanhar esse aumento de demanda.

Dados EUA (estoques)
Fonte: Bridgewater

Como consequência dessa demanda feroz, os estoques (desde matérias-primas até residências) têm decrescido progressivamente, alimentando o fogo da inflação.

Dados EUA (residências)
Fonte: Bridgewater

Mantida estável essa demanda, quanto menores os estoques, menor a oferta, e mais elevados tendem a ficarem os preços.

Além de ter estoques baixos, agora é muito mais difícil para as empresas fazerem com que os suprimentos sejam entregues quando precisam. Em uma gama de medidas diferentes, os custos de envio e os tempos de entrega do envio são muito mais elevados.

Os preços de várias matérias-primas, como os metais, aumentaram acentuadamente desde o ano passado, já que a demanda superou em muito a oferta.

Da mesma forma, não há energia suficiente para alimentar a atividade econômica, dados os atuais níveis de demanda. Os preços do gás natural, carvão e petróleo estão disparando em todo o mundo.

As taxas de juros reais ultrabaixas e a melhoria dos salários estão apoiando um boom imobiliário sustentado, e a oferta simplesmente não tem sido capaz de acompanhar: nos EUA, os estoques de moradias caíram para níveis muito abaixo de qualquer coisa vista na história recente.

Como resultado, os preços das casas e dos alugueis estão subindo.

Combinado a isso, o mercado de trabalho tem se recuperado e já se veem sinais de pressões inflacionárias sobre os salários.

Dados EUA (emprego)
Fonte: Bridgewater

Com suas finanças em dia, e ganhando dinheiro com o aumento dos preços de imóveis, ações e criptomoedas, as pessoas têm sido cada vez mais seletivas com o trabalho que escolhem.

Metade de todas as empresas nos Estados Unidos são incapazes de preencher seus cargos (muito mais do que qualquer cenário visto desde 1975). Há mais vagas de emprego do que desempregados com um diploma decente.

Todas essas pressões combinadas estão fazendo com que os salários aumentem na taxa mais rápida desde o início dos anos 1980, uma vez que a demanda está excedendo em muito a oferta de trabalho.

Caso esse fenômeno persista, pode ser que a inflação chegue aos salários, e aí sim o cenário fica feio.

Esse cenário já é incerto e perigoso, pois o FED já iniciou uma redução tímida e gradativa nos estímulos (que poderia aliviar a inflação), mas ainda nem cogita aumentar juros para desaquecer a economia.

Alguns indicadores apontam para desaquecimento econômico natural, mas ainda não há consenso.

A temporada de lucros continua batendo recordes, pois as empresas tem tido demanda forte e conseguido repassar a inflação.

Os resultados têm sido, contudo, piores do que do trimestre passado, o que poderia indicar uma desaceleração.

Se essa demanda persistir, como alega a Bridgewater, a inflação realmente tende a perdurar, e com impactos nefastos.

Dados EUA (empregos)
Fonte: Bridgewater

Ainda mais se a globalização continuar a regredir, com conflitos entre China e EUA, por exemplo.

Conclusão

Somado a tudo isso, foi aprovado recentemente, nos EUA, de ter uma plano de infraestrutura trilionário, e aí lá vem mais dinheiro numa economia já superaquecida.

Nem mesmo a desaceleração econômica, caso venha, poderia salvar da inflação.

Isso pois já houve casos de estagflação, como nos anos 80, onde mesmo com uma economia fraca, inflação atingia os dois dígitos.

Sufocar a demanda exigiria que os bancos centrais globais adotassem políticas restritivas rapidamente, o que parece improvável.

A verdadeira solução viria de um aumento na produtividade das pessoas, que tende a reduzir o custo dos produtos e serviços. De qualquer forma, é importante saber se proteger da inflação nos investimentos.

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Fonte: cointimes.com.br

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