Duas criptomoedas disparam depois do anúncio de que o Facebook virou Meta


O anúncio de que o Facebook agora se chama Meta em uma tentativa de reposicionamento de marca como foco no desenvolvimento do metaverso teve efeitos imediatos no mercado de criptomoedas. Dois tokens de projetos ligados à criação de ambientes virtuais para interação humana através de avatares digitais dispararam depois que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, divulgou a novidade.

O principal destaque é o Decentraland (MANA), que acumula 64% de valorização nas últimas 24 horas, saltando de cerca de US$ 0,80 para US$ 1,33. O volume negociado do MANA no período cresceu 1.519% e movimentou US$ 2,4 milhões. Os dados são do CoinMarketCap.

No gráfico abaixo é possível identificar o início do movimento ascendente do MANA, com o rompimento da resistência na região de US$ 0,85 e o aumento no número de transações, coincidindo com o momento do anúncio de que a construção do metaverso é a nova obsessão de Zuckerberg.

Gráfico de 4 horas MANA/USDT. Fonte: Trading View.

Logo em seguida vem  The Sandbox (SAND), com um crescimento intradiário de 30%. O SAND subiu de US$ 0,8405 para US$ 1,11 e finalmente conseguiu romper a forte resistência na faixa de US$ 0,87 estabelecida em 9 de setembro, de acordo com dados do CoinMarketCap.

O crescimento do volume de negociação do SAND não foi tão expressivo quanto o do MANA, mas ainda assim não deixa de ser considerável, tendo crescido 319% nas últimas 24 horas. O volume de negociação está um pouco abaixo de US$ 1 milhão.

Gráfico de 4 horas SAND/USDT. Fonte: Trading View

Metaverso

O metaverso é um termo criado pelo escritor Neal Stephenson no clássico romance de ficção científica Snow Crash. Lançado em 1992, o livro se passa em uma Los Angeles distópica pós-colapso econômico mundia. O governo abriu mão do seu poder e a sociedade é controlada por grandes empresários e suas organizações privadas.

Em outras palavras, a organização política trocou os estados-nação por territórios dominados por grandes corporações, com alguns enclaves soberanos e independentes, onde ainda reina alguma liberdade. Mas há também uma realidade paralela e virutal: o metaverso.

Assemelhando-se a um jogo online multiplayer massivo (MMO), o Metaverso é um espaço virutal onde seres humanos convertidos em avatares digitais podem escapar da opressão da vida cotidiana, interagindo socialmente, jogando e até mesmo encontrando ocupações mais rentáveis do que na vida comum.

Se você não soubesse do que se trata Snow Crash, poderia muito bem pensar que estamos falando de uma nova realidade que está logo ali adiante. Zuckerberg que o diga, mas nesse caso a indústria de criptomoedas largou na frente e pode se configurar como o refúgio libertário que os cypherpunks e cypherpunks ousaram imaginar.

As criptomoedas e o metaverso

As criptomoedas não só anteciparam a economia do metaverso como tem sido fundamentais para o seu desenvolvimento. A incorruptibilidade dos tokens não fungíveis permite que a propriedade seja incorporada pelo universo digital. Terrenos, roupas, veículos e até personalidades virtuais assumem a forma de NFTs, criando inúmeras possibilidades para a construção de identidades únicas e diferentes modelos de negócio e até de trabalho em ambientes digitais.

Embora o vídeo de divulgação do Facebook possa apresentar um metaverso mais sedutor e bem acabado, ainda se trata apenas uma fantasia. Enquanto isso, protocolos como Decentraland e The Sandbox já estão criando suas próprias realidades virtuais, permitindo que usuários do mundo inteiro interajam através delas.

Decentraland

O Decentraland permite que os usuários criem territórios com base na própria imaginação ou simplesmente explorem ambientes criados por outras mentes criativas. É possível transitar por aventuras espaciais futuristas, cidadelas medievais, reinventar a pré-história ou então criar ambientes fantásticos nunca antes imaginados.

Isso o Facebook pode muito bem fazer, mas há um recurso que apenas o ecossistema cripto proporciona: permitir que os usuários lucrem com isso. Ou será possível imaginar Zuckerberg abrindo mão de seus lucros, ainda que apenas uma pequena parte, em benefício dos seus usuários?

Em Decentraland, os usuários podem monetizar experiências virtuais de diversas formas. Seja explorando comercialmentes seus próprios territórios, negociando propriedades e ojetos na forma de tokens não fungíveis ou disputando jogos cujo desempenho é recompensado com criptoativos.

Exposições, festas e leilões já são atividades corriqueiras no metaverso de Decnetraland. Basta conectar sua carteira digital e explorar a plataforma com todos os seus recursos. Ou visitá-la como convidado, com limitações.

The Sandbox

O The Sandbox existe desde 2011. Entrou em operação como um aplicativo móvel e chegou a conquistar 40 milhões de usuários. Ao longo do tempo, eles criaram 70 milhões de ativos dentro do ambiente do jogo, agregando valor à plataforma sem no entanto serem recompensados por isso.

Sob o impacto do sucesso dos CryptoKitties e dos CryptoPunks, cujos ativos digitais tornam-se propriedade dos usuários sob a forma de NFTs,  a empresa mudou o seu modelo de negócios. A Sandbox passou a construir um metaverso descentralizado baseado na tecnologia blockchain, “transformando jogadores em criadores” para possibilizar a monetização dos ativos produzidos pelos usuários em sua plataforma.

Qualquer usuário pode criar jogos hospedados no metaverso de The Sandbox com a ferramenta Game Maker, cuja utilização dispensa qualquer conhecimento de linguagem de programação ou experiência prévia. 

No novo modelo de negócios do protocolo, os territórios ocupam um espaço central. É através deles que os usuários podem criar ambientes personalizados. As vendas de terrenos virtuais são uma das principais fontes geradoras de receita do The Sandbox. Uma das mais recentes ofertas públicas, realizada em abril, arrecadou US$ 5,9 milhões em menos de 24 horas.

Mas o grande diferencial do The Sandbox é que seus desenvolvedores querem fazer dele um metaverso para confluência da cultura pop global. Recentemente, a empresa anunciou diversas parcerias com personalidades e franquias de peso do universo das artes e do entretenimento.

O rapper Snoop Dogg terá um ambiente personalizado dentro do The Sandbox. Seu terreno conta com uma mansão virtual e sua coleção de carros. Ele também vai lançar coleções únicas de NFTs no marketplace da plataforma. Sua primeira ação virtual foi uma festa privada cujo acesso era limitado a mil portadores de NFTs lançados exclusivamente para este fim.

No começo de julho, o The Sandbox anunciou a criação de um ambiente baseado na popular série de temática apocalípitica The Walking Dead. No espaço do The Walking Dead no The Sandbox haverá um jogo interativo cujo objetivo dos jogadores será o mesmo dos personagens da série: sobreviver à revolta dos zumbis.

O The Sandbox também está fechando parcerias com ícones da nascente cultura cripto. No início de setembro, anunciou a compra de um raro avatar da coleção de NFTs Bored Ape Yacht Club por 740 ETH – o equivalente a R$ 15,66 milhões à época. 

Ao anunciar a aquisição do 31º NFT da eminente coleção adquirido pelo The Sandbox, os desenvolvedores afirmaram que se tratava de uma iniciativa de apoio à comunidade de criadores e adeptos de tokens não fungíveis. A coleção particular de Bored Apes do The Sandbox poderá fazer parte do metaverso no futuro.

Apesar de todas estas aquisições, o acesso ao The Sandbox ainda é limitado.  Uma versão alfa aberta ao público deverá ser lançada ainda este ano.

Meta

Zuckerberg afirmou ontem que “o metaverso é a próxima fronteira, assim como as redes sociais eram quando começamos.” Possivelmente eles não esteja errado. A diferença é que agora, a inovação está em outro lugar.

Correndo atrás, o Facebook aposta alto no realinhamento radical da empresa em direção ao metaverso. Em setembro, anunciou um investimento de US$ 50 milhões em iniciativas e parcerias relacionadas nesse sentido, além de ter alertado os acionistas de que a construção do metaverso pode implicar em uma diminuição de US$ 10 bilhões nos lucros da empresa neste ano.

Anunciando @Meta – o novo nome da empresa Facebook. Meta está ajudando a construir o metaverso, um lugar onde jogaremos e nos conectaremos em 3D. Bem-vindo ao próximo capítulo da conexão social.

Zuckerberg aposta no cenário ficcional visualizado por Neal Stephenson em Snow Crash. Ao menos é possível ter uma ideia de onde isso pode chegar caso a Meta se torne a primeira grande corporação do metaverso.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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