Dólar pode cair a R$ 4,75 nos próximos meses antes de se recuperar no fim do ano, dizem analistas – Money Times


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O dólar à vista subiu 0,67% nesta quarta, para 4,9764 reais (Imagem: REUTERS/Gary Cameron)

O dólar (USDBRL) fechou em alta nesta quarta-feira, puxado por uma correção global na moeda norte-americana e por realização de lucros depois de um mês inteiro de queda na cotação, que em junho teve a maior baixa mensal de 2021 e encerrou o trimestre com a mais forte desvalorização em 12 anos.

O mercado acompanhou de perto ainda o noticiário político, atento à CPI da Covid-19 no Senado e a informações sobre contratos de compra de vacinas pelo governo federal.

O dólar à vista subiu 0,67% nesta quarta, para 4,9764 reais. A moeda chegou a superar 5 reais ao avançar 1,66% na máxima da sessão, quando bateu 5,025 reais. Na mínima, atingida ainda no início do pregão, marcou 4,9537 reais, ganho de 0,21%.

Em junho, o dólar caiu 4,77%, maior perda mensal desde novembro passado (-6,82%). No trimestre, a cotação recuou 11,62%, baixa mais expressiva desde o segundo trimestre de 2009 (-15,80%).

No primeiro semestre de 2021, o dólar caiu 4,14%.

Nesta quarta, investidores acompanharam a intensificação de ruídos políticos domésticos, após notícias sobre corrupção na compra pelo governo federal da vacina da AstraZeneca. O servidor Roberto Ferreira Dias, acusado de pedir propina a um representante de uma empresa vendedora de vacinas, foi exonerado.

Por ora, contudo, analistas se dividem sobre um impacto mais visível do noticiário de Brasília no mercado.

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Por ora, contudo, analistas se dividem sobre um impacto mais visível do noticiário de Brasília no mercado (Imagem: Agência Senado/Edilson Rodrigues)

“Acho que hoje houve, sim, um componente político (na reação do dólar)… No fim do dia, Bolsonaro não será implicado, mas obviamente isso aumenta incerteza e faz o mercado exigir mais prêmio. E isso pegou todos os mercados”, disse Rodrigo Cruz, sócio e gestor de renda fixa e câmbio da Meraki Capital.

As taxas de longo prazo dos contratos futuros de juros negociados na B3 (B3SA3) saltaram cerca de 10 pontos-base, e o principal índice das ações brasileiras caiu 0,4%, segundo dados preliminares.

“Acho que isso trouxe um pico de ruído para o mercado, mas o mercado não me parece ver potencial de um processo de impeachment do presidente ou de um abalo à popularidade do presidente dentro de seu núcleo de apoio”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

Ainda sobre o dia, Cruz, da Meraki Capital, citou maior volatilidade no câmbio decorrente de um vencimento de puts (opções de venda) de dólar a 5.000,00 reais (os contratos futuros de câmbio da B3 são negociados em reais por 1.000,00 dólares), com valor nocional de 3,5 bilhões de dólares.

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Ainda sobre o dia, Cruz, da Meraki Capital, citou maior volatilidade no câmbio decorrente de um vencimento de puts (Imagem: Pixabay/geralt)

A disputa ocorreu antes da definição da Ptax de fim de mês (por volta de 13h de Brasília). Posteriormente, a alta do dólar arrefeceu.

A força do dólar no exterior também respaldou o ganho de terreno da cotação por aqui. O índice da moeda subia 0,3% no fim da tarde, a 92,339, numa máxima em dois meses e meio e a caminho de registrar a maior alta mensal desde novembro de 2016.

Investidores aguardam com ansiedade dados do mercado de trabalho dos EUA a serem divulgados na sexta-feira e suas potenciais implicações sobre a política monetária do banco central norte-americano.

2º Semestre

Com o fator político doméstico aparentemente ainda em segundo plano, o mercado se volta para catalisadores de movimento cambial no curto prazo.

Para Luciano Rostagno, do banco Mizuho, o real deve continuar se valorizando. “O BC pode acelerar o passo de alta da Selic no próximo encontro (de política monetária), a vacinação está avançando e a economia deve ganhar tração no segundo semestre, com a inflação começando a recuar no fim do ano”, disse. “Então acho que o cenário tende a ser favorável para o real.”

O estrategista prevê que o dólar poderá tocar 4,75 reais no terceiro trimestre, antes de fechar o ano em 4,85 reais, sob pressão em parte da continuidade da agenda de reformas locais.

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O estrategista prevê que o dólar poderá tocar 4,75 reais no terceiro trimestre (Imagem: REUTERS/Ricardo Moraes)

Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, também vê impacto menor do ambiente político no curto prazo, por enquanto, e avalia que a melhora da conta corrente é um elemento de suporte ao real.

“Tudo indica que o exportador ainda tem dinheiro para internalizar. E nossos termos de troca seguem favoráveis”, afirmou, referindo-se a uma medida entre preços de exportação e importação, que, mais alta, sugere maior entrada de dólares ao país.

O Brasil registrou em maio o segundo superávit consecutivo em transações correntes, de 3,840 bilhões de dólares, reduzindo o déficit acumulado em 12 meses a 0,55% do PIB, ante 0,86% no mês anterior, mostraram números do Banco Central na sexta-feira passada. Para junho, o BC estima saldo positivo na conta corrente 6,5 bilhões de dólares e investimentos diretos de 2,5 bilhões de dólares.

O Bank of America também chama atenção para os bons números do balanço de pagamentos. Segundo o BofA, o real é destaque na América Latina pelo potencial de se beneficiar da combinação dessa variável com um tom mais duro do Banco Central e uma menor incerteza política –que estabilizaria as “fontes” de financiamento.

Rodrigo Cruz, da Meraki Capital, vê, contudo, maior pressão sobre o câmbio no fim do ano, conforme os mercados voltarão a ter de lidar com discussões de Orçamento enquanto ganham espaço nas manchetes notícias sobre as eleições presidenciais de 2022.

No curto prazo, diz, a moeda pode testar 4,80 reais, mas já em agosto há um importante evento de risco: o simpósio do Fed em Jackson Hole, dos dias 26 a 28.

“Tem toda uma questão de retirada de estímulos que pode ser anunciada no evento”, disse Cruz, que prevê dólar entre 5,30 reais e 5,50 reais ao fim deste ano.



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