CEO de Star Atlas diz que game utiliza recursos de NFTs e DeFi para criar um metaverso ‘autossustentável’


Esta será uma semana marcante tanto para os desenvolvedores quanto para os fãs de Star Atlas. Na terça-feira, foi lançado o mini-jogo que permite aos jogadores escolherem qual das três facções que disputam o poder e os recursos intergaláticos de que eles querem fazer parte.

Depois de optar entre humanos, um consórcio de espécies alienígenas ou andróides sencientes, os jogadores já podem definir seus perfis e traçar as primeiras estratégias com vistas aos desdobramentos futuros do jogo. Cada facção habita uma região diferente da galáxia e tem habilidades e recursos particulares. 

Os humanos habitam o território Mud, se destacam pelo trabalho e pelo poder de fogo. Os ciborgues sencientes ocupam o setor Ustur, são exploradores e extremamente fortes. E os alienígenas da região Oni são diplomáticos e possuem o mais alto grau de desenvolvimento tecnológico.

A formação das primeiras guildas, grupos de jogadores de uma mesma facção com interesses e objetivos comuns, também pode oferecer vantagem competitiva aos pioneiros do metaverso de Star Atlas.

Na quarta-feira foi lançado um novo trailer no Youtube. Visualmente impactante, a peça responde a algumas perguntas sobre o jogo, deixa muitas outras em aberto e apresenta uma tênue premissa narrativa: a busca por uma nave perdida há 20 anos que conduz os navegantes intergaláticos aos recônditos do universo.

Por fim, duas novas naves espaciais em edições limitadas de NFTs serão colocadas à venda no marketplace do jogo na quinta-feira. 

A Pearce F4 é uma nave pacificadora de tamanho médio, com 39 metros de comprimento. O veículo espacial raro terá 2.200 unidades disponibilizadas aos interessados, com preço inicial de US$ 2.500. A segunda é a Fimbul ECOS Greenader, um bombardeiro imponente e poderoso, de 130 metros. De categoria épica, terá apenas 750 unidades dispoíveis para compra, ao preço de US$ 8.200.

Para quem ainda não ouviu falar em Star Atlas, trata-se de um dos projetos da indústria de games em blockchain baseado no modelo “jogar-para-ganhar” (play-to-earn) que vem despertando maiores expectativas de público e da mídia especializada.

Na primeira parte da entrevista exclusiva concedida ao Cointelegraph Brasil, o CEO de Star Atlas, Michael Wagner apresentou alguns conceitos e ideias acerca do metaverso. Suas premissas e implicações tecnológicas, mas especialmente seu potencial disruptivo em relação à oranização econômica, política e social do mundo contemporâneo.

Agora, na continuação da conversa, Wagner adianta alguns detalhes sobre a jogabilidade de Star Atlas e de que forma a integração de NFTs e DeFi é capaz de criar um metaverso próspero e autossustentável, no qual as pessoas poderão gerar renda através de processos colaborativos organizados sob a forma de DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas).

Cointelegraph Brasil: Os jogos e os NFTs têm impulsionado a indústria nos últimos meses e Star Atlas os combina de uma maneira muito particular. Como os conceitos de escassez digital e exclusividade dos NFTs são fundamentais para a experiência do jogador em Star Atlas?

Michael Wagner: Nós temos uma abordagem um pouco nova para escassez ou raridade, pois acreditamos que todos devem ter acesso ao jogo. Portanto, temos naves que custam US$ 15. Não são NFTs muito raros. Destinam-se a ser o ativo de entrada para qualquer pessoa que queira participar do jogo. Esse é o nosso preço base.

Partindo destas naves pequenas, nós temos outras nove categorias de naves que essencialmente aumentam em tamanho e também em raridade. Temos desde naves individuais até naves-mãe da classe Titan, que podem hospedar milhares de jogadores. São ativos que veremos as guildas, que são coletivos de jogadores, usando. Uma única nave custa mais de US$ 10 milhões. Mas há apenas uma dessas, certo?

Então, tentamos equilibrar essas diferenças em nossa campanha de lançamento. Desejamos que haja inclusão e acessibilidade, mas também queremos estimular a capacidade dos jogadores de construírem riqueza ao longo do tempo no universo do jogo. Se você reinvestir em você mesmo e usar seus rendimentos para comprar ativos mais valiosos, então você terá o potencial de gerar cada vez mais receitas em seu próproio benefício.

Então essa é realmente a proposta: não tornar tudo super-raro, apenas fazer com que os itens mais caros e mais desejáveis tornem-se um motor para a evolução dos jogadores.

Nave espacial Fimbul ECOS Greenader. Fonte: medium.com/star-atlas

CT Brasil: Os jogos play-to-earn têm atraído muitos jogadores, com a promessa de que jogadores dedicados possam ganhar a vida jogando, especialmente em economias emergentes como o Brasil. Que tipo de ocupações os jogadores poderão desempenhar para gerar renda em Star Atlas?

Michael Wagner: Os mercados emergentes são um dos nossos maiores alvos, principalmente a longo prazo. Estamos construindo um jogo que terá requisitos de computação e hardware bastante intensivos. Mas também estamos desenvolvendo o jogo para proporcionar uma experiência de navegador da web. E, no futuro, teremos uma experiência móvel também.

Sobre as ocupações em si, muitas são baseadas na mecânica de jogo e compreendem uma vasta gama de possibilidades. Por exemplo, os jogadores podem tornar-se pilotos de reconhecimento, mineradores que extraem recursos do subsolo, agricultores que cultivam alimentos, operadores de estações espaciais.

Para assumir uma dessas funções é preciso ter os ativos necessários para desempenhá-las. Então, se você quiser operar equipamentos de mineração, precisará ser proprietário ou alugar um terreno, precisará dos equipamentos de mineração, precisará substituir as perfuratrizes ao longo do tempo. Se quiser ser um piloto de exploração, precisará ter a nave adequada ou então terá que oferecer os seus serviços a eventuais interessados.

Mas você também poderia ocupar um cargo que exige maior especialização. Os líderes de guilda que coordenam suas equipes no sentido de gerenciar os recursos e o tempo de forma mais eficaz são como CEOs. 

Portanto, há diversas opções. Sair e experimentar é a melhor forma de fazer com que seu personagem ganhe habilidade e experiência. É a mesma coisa na vida real. Quanto mais você exerce alguma atividade, mais especializado você fica.

CT Brasil: Na prática, quais são os primeiros passos que um jogador pode dar para iniciar sua jornada no metaverso de Star Atlas?

Michael Wagner: É preciso conectar uma carteira na blockchain da Solana para se conectar ao dApp do jogo. Depois disso, a seleção da facção é o ponto de entrada para o metaverso de Star Atlas. Você tem que decidir de qual unidade econômica deseja participar. Você pode jogar com qualquer personagem, não importa a raça. A escolha da facção determina, antes de tudo, um alinhamento econômico.

Ambiente imersivo de Star Atlas. Fonte: medium.com/star-atlas

Se você está se juntando a uma guilda com alguns amigos, por exemplo, é importante que todos façam parte da mesma facção, pois a guilda deve operar coletivamente a partir de uma única facção.

Haverá relações comerciais de interação entre as diferentes facções, e os jogadores que quiserem desempenhar esta função vão precisar de um passaporte. Esses mercadores terão uma importância fundamental no universo de Star Atlas, pois será preciso negociar e comercializar produtos e serviços entre as facções.

CT Brasil: Star Atlas tem dois tokens: o token nativo do jogo, denominado ATLAS, e o token de governança, denominado POLIS. Quais são as funções de cada um e como eles se relacionam dentro e fora da experiência de jogo?

Michael Wagner: Atlas é o meio de troca, essencialmente é a moeda do metaverso. Portanto, não é apenas o mecanismo de recompensa financeira que os jogadores ganham pela conclusão de várias atividades, mas também a unidade de conta para todo e qualquer custo operacional. Em Star Atlas, os custos operacionais existem de muitas formas.

Por exemplo, temos um conceito de imposto sobre o valor de um terreno, que é essencialmente como um imposto sobre propriedade. Você deve pagá-lo apenas por possuí-lo e pelas atividades que desenvolve nele.

Outros custos recorrentes são os de manutenção. O conserto de sua nave se ela for danificada, a necessidade de reabastecê-la, substituir peças degradadas.

Todos esses custos são denominados em Atlas. Então, os jogadores precisam manter o controle sobre os seus recursos para poder arcar com esses custos, que devem consumir no máximo de 10% a 20% de seu faturamento total para que você tenha lucro real jogando.

Polis é o token de governança. Tem utilidade fora do jogo e impulsiona os processos de tomada de decisão sobre os rumos de desenvolvimento do projeto no longo prazo. Através do staking de Polis é permitida a apresentação de propostas e a participação na votação dessas propostas.

Coisas como cronogramas de lançamento de ativos ou a adoção das contribuições de criadores de conteúdo ao redor do mundo para o desenvolvimento da plataforma, novos itens, novas ideias para o metaverso. Eventualmente, essas mudanças são implementadas por nossa equipe de desenvolvedores. Tudo isso é conduzido através da governança.  

E no ambiente do jogo, temos três níveis de DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas) que também são coordenadas através da Polis. Há três facções diferentes no jogo e cada facção tem sua própria DAO.

Existem também DAOs regionais, que estão mais relacionados a sistemas solares específicos, ou mesmo a apenas um único planeta. E há o que chamamos de Corporações Autônomas Descentralizadas, que são as guildas. 

As guildas permitem que grupos de jogadores gerenciem internamente sua própria governança, promovendo uma espécie de monitoramento da produtividade dos seus integrantes e também determinando o que fazer com os recursos acumulados no seu Tesouro. Haverá votações para decidir onde gastar esse dinheiro.

Pode ser investindo em segurança, pode ser comprando um novo ativo, pode ser adquirindo mais terras para cultivar ou algo assim. E tudo isso é impulsionado pela Polis.

Até agora, nada disso foi feito. É apenas o que estamos procurando realizar. É nossa visão sobre o jogo e sobre como ele deve ser estruturado.

Nave espacial Pearce F4. Fonte: medium.com/star-atlas

CT Brasil: Por que vocês escolheram a blockchain da Solana para o desenvolvimento de Star Atlas?

Michael Wagner: Era importante para nós que fosse uma rede que tivesse um potencial significativo de escalabilidade no longo prazo. E a Solana, mesmo com um pouco de instabilidade nesse estágio inicial, é realmente a única blockchain com uma escala similar a da web que existe hoje.

Atualmente, a rede é capaz de processar mais de 50.000 transações por segundo. Portanto, leva cerca de 400 milissegundos para que qualquer mudança de estado seja relatada e implementada na rede. Isso é muito rápido para blockchain, além dos baixos custos de transação.

Quando a rede cresce, a escalabilidade também cresce e isso é muito importante para nós porque estamos projetando uma base de usuários que potencialmente estará na casa dos bilhões. Isso se alcançarmos de fato o público global conforme estamos almejando.

Nosso relacionamento com os responsáveis pelo protocolo começou quando havia apenas cerca de 20 projetos em desenvolvimento e nós éramos o único jogo. Então, recebemos muito apoio deles desde o início, nossas comunidades se formaram de forma cruzada.
 
Outro componente fundamental é a ênfase em DeFi (finanças descentralizadas) da Solana. Embora não sejamos um projeto exclusivamente DeFi, entendemos que há muitos componentes de finanças descentralizadas que queremos disponibilizar para potencializar os ganhos de nossos jogadores.

Por exemplo: um jogador ganha Atlas no ambiente do jogo, converte uma porção deles em USDC e pode entrar em um pool de liquidez para gerar lucros através de yield farming ou mesmo de staking, sem precisar transferi-lo para uma conta bancária. Você tem sua própria conta bancária no mundo digital.

CT Brasil: Você fez um lançamento de token bem sucedido, o marketplace já está aberto ao público, há um mini-game chegando em breve. Quais são as próximas etapas no roadmap de Star Atlas?

Michael Wagner: Não pensamos em datas porque estamos desenvolvendo uma tecnologia disruptiva. Muitas coisas nunca foram feitas antes. Portanto, é necessário muita pesquisa e desenvolvimento de nossa parte para descobrir exatamente como fazer esses sistemas funcionarem.

Não fixamos um cronograma. A próxima fase é lançar um módulo do jogo, o qual chamamos de “Missões de navegação”. Nele, os jogadores poderão explorar o espaço com suas espaçonaves e utilizá-las em algumas missões. Ao completá-las com sucesso, eles serão recompensados com Atlas ou outras bonificações.

Ainda não serão voos de navegação, mas já darão aos jogadores a possibilidade de lucrar com os ativos nos quais eles investiram. Daí, nós passaremos para o desenvolvimento dos terrenos. E esse ciclo do jogo inclui mineração e agricultura.

E depois, a construção da estação espacial orbital. As pessoas poderão comprar ou construir plataformas, expandindo suas estações espaciais para incluir coisas como postos de reabastecimento, hangares, refinarias, etc.

Além de usá-los para si próprios, eles também terão a capacidade de oferecer serviços a outros jogadores. Apenas a título de exemplo: se você tem uma estação espacial orbital em uma região obscura do espaço e outro jogador está passando por ali, precisando reabastecer,  caso você esteja apto a oferecer o serviço, você pode capturar parte da receita dessa transação. Esse é o espírito do jogo. 

Também vamos lançar uma ferramenta de configuração de espaçonaves no final do ano, através da qual será possível personalizar componentes do veículo e incorporar membros à tripulação. E em algum momento entre o final deste ano e o começo do ano que vem, teremos uma versão totalmente refinada do mini jogo para segurar as pessoas enquanto continuamos desenvolvendo o jogo no Unreal Engine. 

Agora, as experiências do Unreal Engine também estão em plena produção. Podemos ter o primeiro módulo Unreal Engine entregue em 31 de dezembro. Essa é uma previsão inicial.

E então passaremos a trabalhar em aspectos cada vez mais amplos do metaverso nos dois anos seguintes. Provavelmente vai levar muitos anos para concluir a construção do metaverso em 3D que planejamos construir.

Ambiente imersivo de Star Atlas. Fonte: medium.com/star-atlas

CT Brasil: Na indústria cripto, as comunidades são um elemento chave para o sucesso de um projeto. Star Atlas está construindo uma comunidade comprometida com o projeto. O que você pode dizer sobre essas pessoas? Quem são elas?

Michael Wagner: Elas têm sido incríveis, muito apaixonadas e encorajadoras. Em termos demográficos, a maior parte vem da Ásia. Coréia do Sul, China, Vietnã, Singapura, essas são as regiões em que o jogo é mais popular. África do Sul também, parte das pessoas são da Índia e das Filipinas, claro. A maior parte do nosso público vem das nações emergentes, sem dúvida.

E temos algumas pessoas da nossa equipe que são da América Latina. O Pablo Quiroga, que é cofundador do projeto junto comigo, é peruano. Temos outro membro da equipe, o Fernando, que é de São Paulo. A Silvia Campo é da Colômbia.

Nossa equipe reúne cerca de 100 pessoas espalhadas pelo mundo, trabalhando remotamente desde 15 países diferentes. Tem sido muito legal ver pessoas de diferentes culturas contribuindo para o desenvolvimento do projeto. Somos uma equipe bem diversa.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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