‘Bolsa de Valores das Favelas’ estreia oferecendo cotas de startup de logística criada em Paraisópolis (SP)

O IPO da Favela Brasil Xpress nesta sexta-feira marca o lançamento da Bolsa de Valores das Favelas, uma iniciativa do G10 Favelas – bloco econômico que reúne as 10 maiores comunidades brasileiras – em parceria com a startup Divi-Hub.

Os idealizadores desse mercado de capital informal pretendem estimular o empreendedorismo de empresários das grandes comunidades periféricas do Brasil e viabilizar o acesso a outras modalidades de investimento financeiro aos moradores das favelas, informou reportagem do jornal O Estado de São Paulo publicada na sexta-feira.

Os investidores poderão comprar cotas de startups a partir do valor mínimo de R$ 10,00, as quais lhes proporcionarão dividendos pagos trimestralmente a uma taxa pré-fixada. Toda parte operacional será realizada através da plataforma da Divi-Hub.

O modelo criado pelos idealizadores do projeto não prevê que os investidores façam parte do capital social das empresas da quais adquiram cotas, pois assim ficam isentos de quaisquer responsabilidade jurídica sobre a atuação das mesmas.

O presidente da União dos Moradores e do Comércio de Parisópolis, Gilson Rodrigues, conta que a apropriação de termos do mercado financeiro foi uma provocação a um setor que não tem o costume de dar atenção às periferias. Um touro será instalado em frente ao Pavilhão Social de Parisópolis, que vai ser a sede da Bolsa de Valores das Favelas, emulando os touros que adornam tanto a fachada da B3, aqui no Brasil, quanto a da Bolsa de Nova Iorque, nos EUA.

A inauguração da bolsa com o a oferta pública inicial de cotas da Favela Brasil Xpress é parte integrante da programação do Slum Summit, um evento que reúne personalidades do empresariado brasileiro para debater o potencial econômico das favelas brasileiras.

A Favela Brasil Xpress, empresa escolhida para inaugurar estes IPOs populares, é um exemplo do potencial econômico de empreendimentos criados nas favelas em benefício de seus moradores.

Durante a pandemia, com as restrições impostas pelas políticas de lockdown, moradores de Paraisópolis – e de muitas outras favelas brasileira – tiveram o acesso a produtos e serviços básicos dificultados ainda mais pelo fato de que os aplicativos e os serviços de entrega não os atendiam.

Para reverter esta situação, Givanildo Pereira, morador da comunidade, se dirigiu às empresas de varejo propondo uma parceria na qual, por conta própria, ele montaria um centro de distribuição para receber as encomendas dos moradores de Paraisópolis em um endereço único, e, depois, ainda se responsabilizaria pelas entregas porta a porta.

Sem contar com qualquer investimento inicial, acordando diariamente às 4 horas da manhã e utilizando veículos emprestados, ele desenvolveu toda a logística do que veio a se tornar a Favela Brasil Xpress.

Em um mês seu trabalho foi reconhecido e ele contou com um aporte de R$ 15.000 do G10 Bank Participações, uma fintech do G10 favelas. O investimento permitiu que o empreendedor comprasse equipamentos, contratasse empregados e profissionalizasse o serviço.

Em março, a Favela Brasil Xpress recebeu o primeiro prêmio no Demo Day – Desafio Brasil-Reino Unido de Logística Urbana e obteve um novo aporte no valor de R$ 23.000. Dessa vez, o valor foi investido para abertura de frentes de atuação em outras favelas da capital paulista e chegar ao Rio de Janeiro. Hoje, a empresa conta com 90 funcionários, sendo que 41 deles são trabalhadores formais com registro em carteira.

Com o IPO, a Favela Brasil Xpress espera captar R$ 1,3 milhões para expandir sua área de atuação a outras 25 favelas, além das sete a que já atende. Desde abril deste ano, a empresa afirma ter realizado 100 mil entregas, com uma média de 1,3 mil por dia, e contabiliza um faturamento total de R$ 200.000.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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