Blockchain, robótica e farmacêutica: conexões e aplicações industriais conjuntas



Conforme o Global Startup Ecosystem Report (GSER) de 2021, as tecnologias de blockchain e robótica estão entre as quatro que mais crescem no mundo, junto de IA + Big Data e Agtech. Parte do incentivo a esse crescimento se deve à multidisciplinaridade das aplicações em desenvolvimento.

A exemplo disso, a própria tecnologia blockchain surgiu como uma solução para otimizar e assegurar a comunicação entre unidades de robótica de enxame. Os conceitos de robótica, IA e blockchain também estão sendo aplicados na indústria de fármacos, desde o design do produto até a distribuição dos medicamentos. Neste artigo discutiremos mais a fundo o uso de blockchain em setores de fronteira tecnológica. 

Blockchain aplicada à robótica de enxame

Robótica de enxame é um ramo de pesquisa com uma abordagem voltada para sistemas complexos multirrobóticos. Esses sistemas são compostos por um grande número de indivíduos simples, que realizam uma ou mais tarefas através de comportamento coletivo. Esses estudos derivam da observação das atividades de insetos sociais, e estão diretamente ligados ao desenvolvimento de sistemas com Inteligência Artificial (IA).

Tarefas comuns que podem ser realizadas por enxames de robôs podem ser encontradas nos ramos da medicina, mineração, agricultura, meio-ambiente, combate a incêndios e calamidades públicas, etc. Os enxames se baseiam na utilização de machine learning. A entrada de dados ocorre através de diversos sensores projetados para tarefas específicas e da intercomunicação entre os indivíduos.

Um dos usos importantes desta tecnologia está na identificação e remediação da poluição oceânica, especialmente manchas de óleo. Imagine um grupo de robôs flutuantes autônomos circulando pela superfície oceânica com sensores ativos. Um deles detecta uma mancha e envia coordenadas para as outras unidades do enxame, que aceleram em direção ao alvo. 

Mas, caso um ou mais robôs sejam hackeados e comecem a enviar orientações e coordenadas falsas para o enxame, a operação irá por água abaixo rapidamente. Como é possível, então, assegurar a consistência da comunicação, e como os robôs podem ter autonomia para descobrir quando estão sendo enganados?

Essa intercomunicação é um dos postos-chaves da tecnologia, podendo ocorrer por Wi-Fi, bluetooth, ondas de rádio ou infravermelho. O aprimoramento desses canais de compartilhamento de dados é o maior desafio enfrentado pelos pesquisadores da atualidade no setor. 

Nesse ponto, a tecnologia blockchain surgiu como uma solução em potencial para impedir situações de falha de comunicação entre as unidades. Um estudo recente realizado pela MIT e a Universidade Politécnica de Madrid foi publicado na IEEE Transactions on Robotics.

O uso de uma blockchain possibilita a consulta de um registro permanente e não-editável de todas as comunicações, permitindo a identificação dos responsáveis por informações falsas. A proposta insere um sistema de tokens finitos em blockchain para validar comunicações através de transações, no qual os robôs desonestos são destituídos de seus tokens. Isso limita o número de informações falsas que um robô hackeado é capaz de transmitir.

O estudo indica soluções para sistemas de enxame, mas também tem aplicações em redes de robôs e drones de transporte de carga e carros autônomos, sem motoristas humanos. Ele traz um algoritmo para a otimização da arquitetura de sistemas de enxame de robôs, levando em conta a quantidade de memória necessária para o armazenamento da blockchain, o tempo de bateria por robô para a conclusão da tarefa, o número de robôs necessários e a distância a ser percorrida, com base no percentual de robôs potencialmente hackeados.

Blockchain aplicada à indústria farmacêutica 

As cadeias de suprimentos da indústria farmacêutica têm evoluído e ficado mais complexas com o advento da globalização e de diversas tecnologias. Contudo, existe uma grande expectativa para um aumento ainda maior dessa complexidade, fragmentação e quebra de linearidade da cadeia. Isso graças ao surgimento de tratamentos médicos personalizados de terapia dirigida, ao uso de robôs e IA e ao desenvolvimento de impressão 3D farmacêutica.

Sendo assim, a preocupação em certificar a proteção e segurança dos medicamentos e a confiabilidade das vias de distribuição é de suma importância. Em muitos países da Ásia, África e América do Sul, medicamentos falsificados chegam a constar como 10% a 30% do total de vendas. Como consequência dos fatores mencionados no parágrafo acima, esse percentual pode subir ainda mais. 

Contudo, o uso de tecnologia blockchain na gestão dessas cadeias de suprimento é uma resposta bastante eficiente ao problema. Produtos são acompanhados de códigos escaneáveis em tempo real, com registros transparentes, públicos e à prova de adulteração.

Mas os usos da blockchain não se resumem apenas à cadeia de suprimentos. Também aumentam a credibilidade de dados de testes clínicos e amostras compartilhadas entre desenvolvedores de fármacos, registros de vacinas, etc.

Além disso, é iminente o aumento do uso de robótica e de inteligência artificial nessa indústria, o que demandará métodos de garantia de confiabilidade entre humanos e robôs. Como vimos no caso dos enxames de robôs, blockchains podem construir essa ponte entre os dois mundos. É bem provável que novas aplicações continuem surgindo nos próximos anos, tanto na indústria farmacêutica quanto em outros setores que também se beneficiem do uso de IA e robótica. 

Conclusão

A tecnologia blockchain já vê uso em gerenciamento de cadeias de suprimentos em todo o mundo, inclusive na indústria farmacêutica. Contudo, seu potencial não se limita a esse único setor, ou ao mercado financeiro.

Sistemas fundamentados no uso de robôs, enxames de robôs, inteligência artificial e automação em geral estão encontrando soluções em blockchain para problemas de comunicação entre unidades.

Com o avanço da robótica através dos vários setores do mercado, espera-se um aumento conjugado do uso e da pesquisa por soluções em blockchain no futuro.

Sobre o autor

Fares Alkudmani é formado em Administração pela Universidade Tishreen, na Síria, com MBA pela Edinburgh Business School, da Escócia. Naturalizado Brasileiro. É fundador da empresa Growth.Lat e do projeto Growth Token.



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