“Bitcoin está ultrapassado”, diz um dos pais do Plano Real



“O bitcoin como moeda digital hoje é ultrapassado”, afirmou o economista Pérsio Arida, durante um webinar sobre regulação das criptomoedas promovido pela pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na segunda-feira (14). Arida, que tem no currículo a presidência do Banco Central em 1995, foi um dos pais do Plano Real junto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Participaram do evento os professores de Direito Camila Villard Duran (USP) e Bruno Salama (FGV) e a economista Maria Cristina Penido de Freitas. Mario Gomes Schapiro, professor e coordenador da FGV e Pedro Salomon B. Mouallem, doutorando pela USP e pesquisador da FGV, completaram o grupo de discussão como moderadores.

Arida usou os termos “moedas lastreadas” e “moedas não lastreadas” para identificar, respectivamente, as moedas digitais dos bancos centrais (CBDC) e as criptomoedas, tratando-as num todo por “ativos digitais”, para então entrar na premissa ‘O Banco Central e as criptomoedas’, que foi o tema da conferência.

Antes, porém, o economista dissertou sobre aspectos específicos de política econômica e monetária, como os esforços do Banco Central para não perder sua capacidade de emitir passivos. Em seguida, levou em conta o que ele chamou de “enorme grau de incerteza acerca da evolução futura das moedas digitais dos bancos centrais (CBDC)”.

Para ele, existe uma preocupação de perda de competitividade diante dessas novas tecnologias por parte dos órgãos financeiros centrais.

Momento Bitcoin

“As moedas lastreadas, em última análise, na prática, são só um aperfeiçoamento do sistema”, disse ele sobre as CBDCs. Para as criptomoedas, como o bitcoin, Arida reservou a seguinte frase: “A moeda não lastreada é algo muito adverso”.

“Nesse sentido, a intenção do bitcoin — que obviamente como moeda digital hoje é ultrapassada — é uma versão interessante”, acrescentou o economista, disparando em seguida que “tem moedas digitais muito mais sofisticadas e interessantes do que o bitcoin”.

Contudo, Arida elogiou a ideia do bitcoin, como sua quantidade limitada e independente de um banco central. “Foi uma ideia inicialmente suscitada pelo impulso libertário, a noção de que é possível fazer transação anônima. É motivada de novo pela sobrevivência da teoria quantitativa da moeda, a noção de que expansão dos passivos dos bancos centrais levaria à inflação, portanto uma moeda com quantidade limitada seria reserva de valor”, comentou o economista.

Outro motivo para a criação e adoção do bitcoin, sugeriu ele, veio da noção de que o padrão-ouro é um padrão obsoleto, pois “você não consegue pagar uma barrinha de chocolate com ouro, ao passo que com o bitcoin, teoricamente você poderia fazê-lo — então, de certa forma, seria algo superior à manutenção do ouro como uma reserva”.

Seja como for, concluiu Arida, isso gerou uma questão especulativa. “O fato é que os avanços tecnológicos, não só em blockchain, mas no sistema como um todo, (nos) levaram a uma evolução um pouco mais interessante”.



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