Bitcoin é a salvação dos brasileiros contra inflação e desvalorização do real, diz especialista

Uma moeda forte deve desempenhar três funções de forma eficaz para aqueles que a utilizam: servir como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. A maioria das moedas em circulação, hoje, no mundo conseguem cumprir os dois primeiros papéis, porém falham clamorosamente no que diz respeito ao terceiro.

Poucos ativos oferecem uma alternativa real de transferência de valor do presente para o futuro. Ao realizarem de forma prática a desintermediação entre o estado e o dinheiro conforme as teorias de Ludwig von Mises e Friederich Hayek, as criptomoedas se apresentam como uma alternativa consistente de reserva de valor, afirma o engenheiro mecânico com pós-graduação nos fundamentos econômicos da escola austríaca Gabriel Maradei em um artigo publicado na Gazeta do Povo.

O autor questiona as políticas monetárias governamentais e defende que o Bitcoin (BTC) é o melhor refúgio para a população brasileira, escapar da desvalorização do real, um problema em parte agravado pela pandemia do coronavírus.

O governo brasileiro acompanhou a política global de impressão de dinheiro para financiar gastos públicos e injetar liquidez em mercados abalados pela Covid-19, provocando um aquecimento artificial da economia no curto prazo, cujos efeitos negativos já se fazem visíveis desde já, mas serão muito mais sentidos pelas gerações futuras.

Mesmo uma economia desenvolvida como a dos EUA encontra-se pressionada pelo afrouxamento das políticas monetátais através da flexibilização quantitativa (quantitative easing) e consequentes alta da inflação e diminuição do poder de compra da população. Especialmente as classes mais desfavorecidas, como ressalta Maradei em seu texto:

Parece muito belo “salvar a economia” inflando o agregado monetário e injetando liquidez, com base em um modelo macroeconômico que simplifica o mercado como um mecanismo homogêneo. Mas, ao avaliar a heterogeneidade do mercado, entendemos que essas políticas são uma forma silenciosa de transferência de renda (efeito Cantillon) em que os primeiros beneficiários são aqueles que recebem esse dinheiro novo na sociedade (sejam eles governantes, empresas de infraestrutura, bancos…) à custa da desvalorização do poder de compra daquele que está mais distante do ponto de entrada, o cidadão comum antes mencionado, que aqui podemos chamar de vítima.

Os efeitos são mais nocivos ainda em países emergentes como o Brasil, cujas moedas são fracas por natureza. Desde sua implantação, em 1994, o real já perdeu 85% do seu poder de compra. Isso equivale a dizer que algo que poderia ser comprado por R$ 15,00 em 1994, hoje custaria R$ 100,00.

Mas nem é preciso ir tão longe assim no tempo para entender o drama das classes C e D no Brasil de hoje: com o índice de inflação de 9,68%, calculado com base no IPCA dos últimos 12 meses, produtos essenciais do dia a dia das famílias, como a carne e até o pão, já não cabem no orçamento doméstico das famílias. Mesmo aquelas beneficiadas pelo auxílio emergencial concedido pelo governo.

Maradei diz que a situação é ainda mais crítica por aqui porque o brasileiro médio não tem opções de investimento capazes de preservar seu patrimônio. Seja por conta de condições estruturais da sociedade brasileira e de seus sistema financeiro, seja por falta de educação financeira. Ele compara o desafio de poupar no Brasil ao de “tentar subir uma escada rolante ao contrário, impulsionada pela impressão de dinheiro.”

Baseado no livro “Desestatização do Dinheiro”, publicado por Friederich Hayek, em 1976, o especialista identifica a raiz de todos os males na concentração de poder nas mãos do aparato estatal para ao mesmo tempo implantar as políticas públicas através do governo e coordenar e regular as políticas monetárias através dos bancos centrais. 

Em uma crítica aberta à ingerência do governo sobre a economia, Maradei diz que “a inflação sempre foi utilizada como ferramenta para financiar políticas populistas, para ‘salvar’ mercados ineficientes e até mesmo para financiar guerras, em lugar da impopular tributação, silenciosamente furtando as reservas da grande massa”.

Em seguida, ele cita Hayek para defender a “desestatização” do dinheiro:

“Em sua obra, o visionário Hayek já propunha como solução desvencilhar o banco central do Estado, forçando-o a competir com outros “bancos centrais”, criando uma espécie de mercado de moedas cujos emissores disputam clientes que buscarão os ativos que melhor refletem as três características comentadas no início deste artigo. Para ele, nada melhor do que o fim do monopólio, bem como o interesse próprio dos agentes para garantir a estabilidade da moeda. Mas como o Estado poderia abrir mão de uma de suas maiores, se não a maior, fonte de poder”? 

Se governos e bancos centrais, de fato, não abrirão mão do monopólio sobre emissão e controle da moeda, a soulção emergiu da inovação tecnológica. De acordo com Maradei, a teoria de Hayek se materializou na prática com a criação do Bitcoin, uma moeda digital descentralizada, que dispensa intermediários devido às suas características intrínsecas: “um ativo digital, escasso, totalmente descentralizado, inviolável e que não tem nenhum emissor que pode controlar a sua oferta.”

Embora altamente volátil no curto prazo, os 12 anos de existência do Bitcoin têm provado que ele é uma “excelente reserva de valor de médio e longo prazo”, escreve Maradei. Trata-se de uma tecnologia tão inovadora e disruptiva, segundo o engenheiro, que mesmo sofrendo restrições quanto à sua circulação como as impostas recentemente pela China – a segunda maior economia do mundo -, nada é capaz de pará-la.

“A tecnologia inovadora por trás da criptomoeda abriu espaço para um mercado aberto de moedas, tão sonhado por Hayek na década de 1970, e que não tem nenhuma barreira geográfica atualmente.  Já são milhares de diferentes criptoativos que buscam soluções descentralizadas e seguras para desvincular o poupador comum das perversas políticas monetárias dos governos.”

Finalmente, estão ao alcance de todos soluções descentralizadas e seguras para desvincular o poupador comum – e não apenas os investidores profissionais – das duvidosas políticas monetárias dos governos e de seus bancos centrais, afirma Maradei:

Estamos no meio de uma espécie de revolução silenciosa que impacta a forma como lidaremos com o dinheiro no futuro, uma esperança ao poupador de baixa renda que se vê na obrigação de gastar seu dinheiro rapidamente ao ver a disparada dos preços dos produtos de subsistência, e que agora vislumbra uma solução prática para acelerar o processo de enriquecimento de sua família.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Bitcoin também é uma alternativa para proteção do patrimônio dos investidores brasileiros contra a instabilidade política que o país vem atravessando desde pelo menos 2013, e que pode se aprofundar ainda mais no ano que vem diante das eleições presidenciais.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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