Bitcoin descola do ouro e do mercado de ações e se fortalece como melhor investimento em tempo de incertezas globais


Quando as quedas generalizadas de todas as classes de ativos no mês de setembro pareciam ter sepultado de vez a narrativa de o que a dinâmica de mercado do Bitcoin (BTC) não guarda relação direta com os mercados financeiros tradicionais, bastou uma semana de forte alta do BTC no mês de outubro para ressuscitá-la com uma força ainda maior.

São muitas as vozes do universo das finanças tradicionais a reconhecerem que o Bitcoin pode de fato ser a melhor opção de investimento em tempos de incerteza no cenário macroeconômico global.

Entre os fatores que vem causando preocupaçãoa governos de diversas partes do mundo há uma crise no setor de energia, problemas de distribuição nas cadeias de suprimentos, inflação em alta, e sinais de crescimento econômico mais fraco do que as previsões oficiais.

Uma reportagem da Bloomberg publicada na quinta-feira afirma que o movimento oposto do Bitcoin em relação ao mercado de ações sinaliza que as criptomoedas “podem servir como uma proteção para carteiras de investimento quando há uma liquidação de ações durante tempos de turbulência.”

O texto acrescenta ainda que a demanda por ativos desta natureza nunca foi tão grande como agora, pois não há confiança no mercado de que “se pode confiar nos títulos do Tesouro para desempenhar esse papel durante um período de rendimentos ultrabaixos e inflação acelerada.”

No entanto, a alta volatilidade do Bitcoin ainda mantém alguns investidores com o pé atrás em relação ao grau de proteção oferecido pelo ativo digital. Ouvido pela reportagem, Stephane Ouellette, CEO da plataforma cripto FRNT Financial Inc., disse que a narrativa do BTC como reserva de valor varia de acordo com as circunstâncias, tão inesperadamente como a cotação do par BTC/USD:

“Às vezes você pode dizer que [o BTC] está correlacionado com ações mais especulativas como as do setor de tecnologia, outras vezes uma mentalidade do tipo reserva de valor propõe uma correlação com o ouro; e nas grandes liquidações, os criptoativos tendem a se correlacionar com os ativos de risco em geral. Embora em alguns períodos as correlações pareçam relativamente consistentes, elas tendem a mudar a qualquer momento. E isso parece ter acontecido agora.”

Trata-se de um sentimento geral do mercado. Nikolaos Panigirtzoglou, analista do JPMorgan Chase, sugeriu na quarta-feira que os investidores institucionais poderiam estar recorrendo ao Bitcoin por entenderem que se trata de um ativo mais resiliente à inflação do que o ouro.

Até mesmo o sempre crítico do mercado cripto, Michael Burry, admitiu que a cotação do ouro pode estar sofrendo por conta da concorrência com o Bitcoin. Em uma postagem no Twitter, depois deletada, o trader que ficou famoso por faturar alto com a crise de 2008 e virou até personagem de filme hollywoodiano, constatou que, hoje, o metal precioso se mantém no mesmo nível em que se encontrava há 10 anos atrás. Foi a última vez que o ouro apresentou um crescimento significativo, motivado por tensões no cenário macroeconômico.

Tweet de Michael Burry sobre o desempenho atual do ouro em relação ao dólar. Fonte: Twitter @Burry Archive

Até agora em 2021, o ouro perdeu mais de 7% em relação ao dólar, enquanto o Bitcoin apresenta mais de 88% de valorização.

A narrativa de que o Bitcoin pode substituir o ouro e outros metais preciosos como ativo de proteção ainda é muito nova. Embora há tempos seja chamado de “ouro digital” por maximalistas e membros da comunidade cripto, faz pouco mais de um ano que ela começou a ser levada a sério por outras entidades do mercado tradicional e, principalmente, pelos investidores institucionais, pontua Brian Mosoff, CEO da Ether Capital Corp, uma empresa de investimentos com sede em Toronto.

Ele acredita que é possível que o mais recente rali de alta do Bitcoin esteja sendo impulsionado por essa mudança de sentimento, à medida que a incerteza aumenta em relação ao limite do teto da dívida dos EUA e da política do FED, o banco central norte-americano.

Isso porque o conceito de que a oferta de Bitcoin é limitada e previsível parece estar sendo melhor compreendida por investidores do universo das finanças tradicionais, disse Mosoff à Bloomberg:

“Este é um momento em que um novo mundo entra em cena e afirma que há um motivo pelo qual essas funções e propostas de valor compõem a essência do design desta classe de ativos. Os investidores estão lentamente aceitando que talvez não se trate de uma ideia tão maluca e é por isso que o capital está fluindo para este espaço”. 

Outros sinais positivos contribuíram para reforçar a narrativa do Bitcoin como ativo preferencial de reserva de valor. No início desta semana o Bank of America publicou uma pesquisa extensiva focada em diversas classes de ativos digitais que concluiu que o mercado cripto é “grande demais para ser ignorado”.

Uma sinalização dos reguladores norte-americanos de que não há intenção de reprimir o mercado de criptomoedas, como fez a China, tranquilizou a indústria, pelo menos temporariamente. O lançamento de serviços de custódia para investidores institucionais do US Bancorp é outra novidade que pode impulsionar adoção de BTC, uma vez que o banco possui mais de US$ 8,6 trilhões em ativos sob gestão.

E até mesmo um boato de que o Brasil estaria estudando transformar o Bitcoin em moeda de curso legal curso legal pode ter contribuído para a euforia. Mesmo que na realidade haja apenas uma proposta para regulamentar as criptomoedas no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

No momento em que este texto foi concluído, o Bitcoin está cotado a R$ 300.767, registrando uma alta de aproximadamente 1% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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