Bali se torna refúgio de investidores de criptomoedas

Destino turístico reconhecido internacionalmente por suas praias paradisíacas, há poucos anos atrás, dificilmente poderia-se imaginar que em pouco menos de três anos, Bali se tornaria o principal hub de criptomoedas do sudeste asiático.

Em parte, o movimento foi motivado pelos efeitos secundários da pandemia do coronavírus. A transferência de grande parte do cotidiano para ambientes digitais, o lockdown forçado e a disseminação do regime de trabalho em home office fizeram com que muitas pessoas remodelassem seus estilos de vida em busca de maior satisfação pessoal.

Bali tornou-se um dos destinos preferenciais de investidores, desenvolvedores e entusiastas de criptomoedas que decidiram abandonar os grandes centros empresariais em busca de maior qualidade de vida, a ponto de ganhar o apelido de “Bali do Silício”, relatou reportagem publicada no Financial Times.

Hoje, a ilha reúne uma comunidade cripto que possui integrantes de diversas partes do mundo. O empresário de origem russa Ilia Maksimenka, 33, por exemplo, se transferiu para a ilha em 2020, não muito depois do surto de Covid-19. “É muito fácil encontrar as pessoas certas aqui”, disse Maksimenka. “Em termos de Sudeste Asiático, Bali é como o polo [internacional] das criptomoedas, agora”.

Radicado em Bali há mais tempo, o italiano Emilio Canessa, que trabalha na área de marketing do protocolo Internet Computer (IC), desenvolvido pela Dfinity, relembra como as coisas mudaram nos últimos dois anos:

“Nós trabalhávamos nesses lugares meio hippies, e de repente começamos a ver Lamborghinis. O calibre das pessoas que temos aqui, agora, é uma loucura”.

Além disso, uma vantagem adicional é que o custo de vida em Bali é bem mais econômico do que em grandes pólos do setor de tecnologia, como o próprio Vale do Silício, Nova York ou Dubai, afirma o empresário:

“Quando você vem a Bali, a vida talvez seja 10 vezes mais barata do que na Califórnia. Mas o nível de conforto é o mesmo e a qualidade da comida é muito mais alta. As pessoas preferem vir para cá para viver uma vida tropical.”

Na comunidade de “nômades digitais” de Bali, mesmo aqueles que não estão diretamente envolvidos na indústria compartilham o interesse comum pelas criptomoedas. Em seus perfis nas redes sociais, muitos ostentam as fortunas que ganharam investindo em criptomoedas no mais recente ciclo de alta.

A comunidade de entusiastas de Bali fez fortuna não apenas com operações envolvendo criptomoedas. NFTs, e finanças descentralizadas (DeFi) também estão entre os principais setores da indústria explorados por esses novos moradores de Bali.

Criptoeconomia local

O crescimento do interesse por criptomoedas em Bali pode ser medido pelo número de usuários registrados na Tokocrypto, uma exchange de criptomoedas da Indonésia. Hoje, a empresa conta com 37,66 mil usuários registrados com domicílio em Bali. No começo de 2021, eram apenas 808.

O perfil predominante na comunidade de criptomoedas é de homens brancos entre 20 e 30 anos. À medida que cada vez mais jovens milionários escolheram Bali como destino, as empresas locais perceberam novas oportunidades em uma economia dependente do turismo, que foi abalada pelas restrições de circulação do COVID-19.

Este ano, por exemplo, a Tokocrypto lançou o T-Hub, um “clube de criptomoedas” que oferece um espaço compartilhado de trabalho em ambientes descontraído com espaços ao ar livre, piscina e outras amenidades. Enquanto a Indodax, outra exchange indonésia de criptomoedas, abriu seu segundo escritório na ilha.

Diante da queda do número de turistas que visitaram Bali no ano passado – foram apenas 51, de acordo com estatísticas oficiais –, integrantes da comunidade de criptomoedas se mobilizaram para usar a tecnologia subjacente aos ativos digitais para contribuir com a retomada da economia da ilha.

O Bali Token foi criado por desenvolvedores anônimos para ser utilizado como uma espécie de “cupom de desconto” em pontos turísticos de Bali. No entanto, o projeto não ganhou tração e, hoje, perdeu praticamente todo e qualquer valor de mercado, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o governo de Vanuatu, um arquipélago no Oceano Pacífico, apoiou oficialmente o Satoshi Island Community Project, uma criptoilha privada onde a moeda fiduciárias não valem nada e a moeda corrente é o Bitcoin.

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Fonte: cointelegraph.com.br