B3 pode ser o Oráculo de informações para o sistema de smart contracts do Real Digital, revela Banco Central

Durante o webinar “Smart contracts, IoT e dinheiro programável”, promovido pelo Banco Central nesta quinta-feira, 30, a instituição destacou que a B3, empresa responsável pela bolsa de valores brasileira, poderá atuar como um “oráculo” para as soluções de contratos inteligentes que devem ser habilitadas no sistema – “oráculo” é o nome dado à solução que leva informações do mundo real para um sistema digital, como o blockchain.

O BC já destacou anteriormente que a CBDC brasileira vem sendo pensada como uma espécie de token nativo de um grande ecossistema de pagamentos digitais programáveis, habilitado por contratos inteligentes e finanças descentralizadas (DeFi). Desta forma, segundo o BC, o real digital seria destinado a habilitar estas novas funcionalidades, que ganharam popularidade com as criptomoedas, em um ambiente regulado e para todos os brasileiros.

Portanto, ainda segundo o BC, uma das grandes discussões neste cenário é quem atuaria como “oráculo” no sistema, responsável por levar informações externas, do mundo real, aos contratos programados, digitais, como por exemplo dados relativos à Selic, índices de inflação, entre outros.

Moderador do evento, Mardilson Queiroz, consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, pontuou que a B3 poderia atuar como um destes “oráculos” do sistema, criando esta ponte entre os dados externos e a CBDC do Banco Central.

B3 como Oráculo do Real Digital

Luís Kondic, diretor de Produtos Listados e Dados da B3, deu sua opinião sobre a possibilidade da entidade atuar como “oráculo” dentro do ecossistema do real digital. Segundo ele, ainda é cedo para avaliar posições dos participantes nesta nova estrutura financeira que o BC vem promovendo e como estes participantes podem efetivamente atuar no ecossistema como um todo.

Contudo, apontou que a B3 poderia, sim, atuar como um elo de ligação entre as informações externas ao ecossistema e imputar os dados on-chain que têm a capacidade de atualizar as características de cada contrato.

“Não tenho uma resposta direta para isso pois estamos avaliando as posições nesta nova estrutura que está sendo desenvolvida. Estamos olhando e avaliando as melhores formas de interação e participação neste ecossistema. Contudo, acredito que isto é algo para evoluirmos e avançarmos visando atender as necessidades futuras deste sistema de pagamentos com dinheiro programável”, disse.

Já Marcos Viriato, CEO da Parfin, afirmou que a problemática dos “oráculos” ainda precisa ser debatida do ponto de vista da regulamentação e como os atuais participantes do sistema regulamentado podem atuar neste novo sistema que pode permitir atores não necessariamente regulados.

Segundo ele, as instituições financeiras tradicionais terão um papel importante neste novo desenho do ecossistema e a questão dos “oráculos” pode ser algo mais aberto, com diversos participantes, e não apenas delegado à uma única instituição.

“Eu creio obviamente que as instituições financeiras terão um papel importante nisso, não sei se como oráculos ou como validadores de informações, contudo a participação delas e demais atores permitirá uma maior rapidez na inovação e na criação de novas soluções”, disse.

CBDCs e stablecoins

Participando do debate, Shailee Adinolfi, diretora de Contas e Vendas Estratégicas da Consensys, pontuou que independente da questão dos “oráculos”, a união entre CBDCs como o real digital e o mundo financeiro descentralizado, popularizado pelas aplicações com criptoativos, tende a ser um grande combustível para a inovação das finanças globais.

Segundo Adinolfi, essa união também dará ao público mais confiança no ecossistema financeiro tradicional e ajudará a eliminar cada vez mais o uso do dinheiro físico e, para que isso ocorra, é importante que o real digital seja interoperável e com padrões que permitam à indústria desenvolver soluções.

“No mundo financeiro atual você tem conexões com diversas APIs que são centralizadas e, portanto, o dono da API pode mudar as rotas e mesmo revogar acessos gerando insegurança para os empreendedores. Já nas blockchain públicas tudo segue um padrão imutável e que permite aos desenvolvedores criarem novas funções com base nestes padrões e isso gera inovação, segurança e estabilidade para o desenvolvimento de novos negócios”, disse.

Para ela, o BC tem que garantir a interoperabilidade do sistema do real digital visando permitir ao setor privado construir soluções com confiança. “O governo foca nas estrutura fundacional e tudo o mais que é inovação fica a cargo da iniciativa privada e então você terá um CBDC com mais abertura à inovação e de forma regulada com inclusão financeira. Não devemos limitar os desenvolvedores mas fomentar a educação para termos um sistema cada vez mais aberto”, pontuou.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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