A última cartada do governo para a privatização


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Ideia de privatizar a Petrobras é vista com ceticismo entre agentes do mercado. (Imagem: (Tânia Rêgo/Agência Brasil/Flickr)

Parte do governo tenta o que pode ser a última cartada da atual gestão para viabilizar a privatização da Petrobras (PETR4): a conversão das ações preferenciais da estatal em ordinárias, informou o jornal Valor Econômico.

A ideia da diluição das ações preferenciais da União foi discutida em ambiente de informalidade entre alguns líderes do governo antes da audiência na Câmara com o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, sem fazer parte de qualquer ponto de pauta concreto, disse uma fonte ao Money Times.

Líderes dos partidos avaliaram uma tentativa de sinalizar uma “privatização parcial” da estatal – ideia que foi discutida sem grande ânimo e avaliada como pouco razoável.

A privatização da Petrobras, com a tese de maior competição no mercado de óleo e gás, é defendida pelos integrantes da equipe econômica do governo.

Para o analista de política da Ohmresearch, Márcio Olímpio Fernandes, existe uma tensão entre a ala econômica e o Centrão, que dá sustentação ao governo no Congresso. No entanto, diz, o presidente da Câmara, Arthur Lira, uma das lideranças desse grupo, tem ficado cada vez mais influente, com a proximidade das eleições.

Como se sabe, Lira tem bombardeado a diretoria da Petrobras nos últimos tempos, devido aos recorrentes aumentos dos combustíveis. Entre as retaliações cogitadas pelo parlamentar, estão o aumento de impostos sobre a estatal.

“A eventual privatização ou mudança do status das ações da Petrobras é algo complexo porque significaria mudanças legais no ordenamento jurídico, na legislação e internamente na empresa”, destaca o analista da Ohmresearch.

Segundo Fernandes, é “muito pouco provável” que uma pauta que implique na privatização da empresa avance neste ano, tendo em vista o processo processo eleitoral.

Petrobras no mercado

A ideia de privatizar a Petrobras no curto prazo tem uma recepção entre agentes do mercado financeiro que oscila entre ceticismo e confusão.

Os analistas Pedro Soares e Thiago Duarte, do BTG Pactual, disseram em maio ver a privatização como uma “tarefa desafiadora do ponto de vista político”. “Qualquer aposta nisso a curto e médio prazo deve ser vista com muito ceticismo”. 

Para o sócio-administrador do escritório de agentes autônomos Boa Vista, Gillmor Monteiro, não fica claro o que o governo pretende fazer com a Petrobras.

“A empresa, querendo ou não, tem cada vez mais passado por ingerência”, diz. “Isso estressa o preço do ativo”.

Monteiro lembra, que quando “todo mundo falava que não haveria intervenção sobre a empresa”, o papel saiu de R$ 25 para R$ 32. “O presidente [Jair Bolsonaro] começou a atacar [a política de preços da companhia] e bateu até o papel cair para R$ 26”.

O sócio-administrador da Boa Vista diz que a nova baixa dos papéis da Petrobras representa uma oportunidade para o investidor.

Para Fernandes, da Ohmresearch, o governo vai continuar defendendo o discurso público de ataque à Petrobras.

O Planalto deu orientação geral a parlamentares para apoio a assinatura para o requerimento de criação da CPI da Petrobras.

“Cada um dos parlamentares está fazendo cálculos pessoais. Querem participar desse discurso de ataque à Petrobras e aos executivos”, diz.

Para ele, o Planalto acredita que a CPI pode servir para apontar certos elementos de governança que foram criados e consolidados antes do governo Bolsonaro. “É uma estratégia perigosa. CPIs geralmente fogem do controle”, afirma.

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