2021 x 2017 – O que mudou no Top 10 do mercado de criptomoedas nos últimos 4 anos


Na terça-feira, 9 de novembro, o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) registram novas máximas históricas: US$ 68.530 e US$ 4.837, respectivamente. A história se repete e confirma que o último trimestre do ano costuma ser um período de bonança para o mercado de criptomoedas.

Nada indica que a corrida de touros do ciclo atual esteja próxima do fim, atesta a grande maioria dos analistas. Além da manutenção da tendência de alta no início do ano que vem, há outras diferenças significativas entre o ciclo atual e o anterior, cujo ápice foi alcançado em dezembro de 2017.

Junto dos novo recordes históricos de preço do Bitcoin e do Ethereum, o mercado de criptomoedas alcançou uma capitalização total de mercado acima dos US$ 3 trilhões, quando em 2017 não chegava US$ 1 trilhão. Tanto as novas máximas históricas quanto o crescimento geral do mercado se deve em grande parte aos investidores institucionais – e não ao varejo como em 2017. 

E uma nova dinâmica dos ciclos de quatro anos pode estar sendo inaugurada, defendem alguns analistas e investidores. Esta tese sugere uma diminuição da volatilidade do BTC, com quedas menos drásticas e altas igualmente mais suaves daqui para frente.

No entanto, o retrato mais evidente da transformação que ocorreu na indústria ao longo do ciclo do mercado atual pode ser verificado na comparação dos rankings das 10 maiores criptomoedas por capitalização de mercado nos picos do ciclo de alta de então e de agora.

Em 2017, o ranking era dominado por criptomoedas cuja utilidade primordial era a de operar como meios de pagamentos digitais. As stablecoins ainda não tinham a importância que têm hoje para fornecer liquidez ao mercado – o Tether (USDT) ocupava apenas a 24ª posição no ranking. Criptomemes como o Dogecoin (DOGE) eram pouco significativos. E a capitalização total do mercado atingiu seu auge naquele ciclo em 8 de janeiro de 2018, somando US$ 819,3 milhões.

2017

Em 17 de dezembro de 2017, a dois dias de o Bitcoin registrar sua máxima histórica, assim estava o top 10 do ranking de criptomoedas por capitalização total de mercado:

Ranking das 10 maiores criptomoedas do mercado em 17 de dezembro de 2021. Fonte: CoinMarketCap.

Bitcoin, Bitcoin Cash (BCH), XRP, Litecoin (LTC), IOTA, Dash (DASH), NEM (XEM) e Monero (XMR) se enquadram na categoria de meio de pagamento e/ou reserva de valor. Ehtereum e Cardano (ADA) eram as duas únicas blockchains dedicadas a contratos inteligentes. 

Quatro cresceram e se mantiveram no top 10. As outras seis perderam importância e foram ultrapassadas por stablecoins, criptomemes e protocolos voltados à infraestrutura que oferecem novas soluções para setores da indústria até então inexistentes ou insignificantes como os de finanças descentralizadas (DeFi), NFTs e jogos.

Bitcoin Cash (BCH) e Litecoin (LTC)

O Bitcoin Cash, famigerado hard fork que dividiu a comunidade do Bitcoin em 2017, e o Litecoin, tido como a “prata digital” mantiveram-se no topo da lista quando o atual ciclo de alta começou, no final de 2020. À medida que as novas tendências do mercado foram se impondo ao longo deste ano, ambos foram ficando para trás.

Hoje o Litecoin ocupa a 14ª posição no ranking, com uma capitalização de mercado de US$ 18,5 bilhões. Apesar de estar em alta, ainda é inferior ao volume alcançado em 2017.

Já o Bitcoin Cash está em 19º lugar, com capitalização de mercado de US$ 13,1 bilhões, bem inferior à máxima registrada no ciclo de 2017.

Tanto o Litecoin quanto o Bitcoin Cash apresentavam-se como projetos alternativos ao Bitcoin. De acordo com as suas equipes de desenvolvedores, teriam vantagens competitivas sobre a maior criptomoeda do mercado tanto em nível técnico quanto no que diz respeito à usabilidade por parte dos usuários. 

O Bitcoin Cash se propunha a aumentar a escalabilidade do Bitcoin aumentando o tamanho do bloco de 1 MB para 8 MB. Consequentemente, o BCH tem capacidade de validar um número maior de transações em um período de tempo menor em comparação com o BTC.

Ao longo do tempo, tal vantagem mostrou-se irrelevante, daí a queda contínua do BCH. Hoje, até mesmo sua presença no top 20 está ameaçada pelo crescimento da Polygon (MATIC) – uma solução de segunda camada para a rede do Ethereum – e da Algorand (ALGO) – mais um protocolo que se coloca como alternativa ao Ethereum com custo mais baixo de taxas de transação e maior velocidade de processamento.

O tamanho do declínio do Bitcoin Cash fica ainda mais evidente quando se pensa que ele atingiu sua máxima histórica em 20 de dezembro de 2017, quatro dias depois do Bitcoin, chegando a US$ 4.355 na ocasião. Cotado hoje a US$ 695,97, o BCH acumula uma depreciação de 84% em relação ao seu recorde de preço.

O Litecoin é uma das primeiras altcoins do mercado e a longevidade certamente está entre um dos seus atributos positivos – até então está resistindo à prova do tempo.

O LTC nasceu como um fork do código-fonte do Bitcoin Core, diferindo principalmente por ter um tempo de geração de bloco reduzido (2,5 minutos), um estoque total de moedas maior e um algoritmo de hash diferente (scrypt, em vez do SHA-256). Sua proposta era se estabelecer como uma alternativa de meio de pagamento digital, mais rápido e com taxas de transação menores que as do Bitcoin. 

Se no início a similaridade com o Bitcoin – a ponto de ser denominado “prata digital” – foi positiva para o crescimento da moeda, agora ela contribui para a sua irrelevância. Em um mercado cuja utilidade de um protocolo é valorada pelos casos de uso que oferece aos usuários, o Litecoin dificilmente recuperará espaço, pois não foi amplamente adotado como meio de pagamento e não se pode dizer que se mantenha como uma forma confiável de reserva de valor.

IOTA

Sétimo colocado em 2017, o IOTA não é exatamente uma blockchain, mas baseia a tecnologia de livro razão distribuído em uma tecnologia proprietária intitulada Tangle, que consiste basicamente em um sistema de nós que confirma as transações com base em um mecanismo conhecido como Directed Acyclic Graph (DAG).

O sistema exclui a mineração e com isso não são cobradas taxas sobre as transações realizadas na rede. Cada vértice na estrutura do DAG representa uma transação e, em vez de reunir transações em blocos de dados, elas são construídas umas sobre as outras.

De acordo com os desenvolvedores, a rede da IOTA foi projetada para fornecer recursos que nenhuma outra criptomoeda era capaz de oferecer em 2017: micro-transações eficientes, seguras, leves, em tempo real e sem taxas.

Hoje, diversos projetos oferecem estas funcionalidades. O Fantom, inclusive, incorporou o DAG enquanto mecanismo de consenso e já está bem à frente do IOTA no ranking geral de criptomoedas. Equanto o IOTA caiu para a 49ª posição, seu rival direto cresceu exponencialmente em 2021 e já está no 33º lugar no ranking, com uma capitalização de mercado quase duas vezes maior.

DASH

Oitavo em 2017 e 70º colocado hoje, o DASH surgiu em janeiro de 2014 como um fork do Bitcoin cujo propósito era oferecer maior privacidade e rapidez nas transações quando comparado à maior criptomoeda do mercado.

Embora seus desenvolvedores não assumam o status de “privacy coin”, cujo objetivo fundamental é manter anônimas as entidades envolvidas nas transações – o DASH oferece recursos adicionais de privacidade aos usuários que desejem proteger suas movimentações.

Assim como o Bitcoin, o DASH tem um estoque total de moedas limitado a 18.921.005 de unidades e portanto também é deflacionário. De acordo com uma declaração do CEO do DASH na Tailândia, Felix Mago, ao Yahoo Finance em outubro, o criptoativo vem sendo amplamente adotado como meio de pagamento digital em alguns países da América Latina e da Ásia.

No entanto, a mesma reportagem aponta indícios de que uma crise financeira está colocando em risco o futuro do Dash Core Group, entidade responsável pela gestão do protocolo. Boatos dão conta de que se o preço do DASH cair abaixo de US$ 80, não apenas não haverá fundos para manter os projetos em desenvolvimento, mas também não haverá como pagar os salários dos funcionários do DCG.

Felix Mago negou tal possibilidade, afirmando que o DCG não corre o risco de fechar tão cedo, ou de quaisquer cortes significativos de pessoal no curto prazo. Temos reservas significativas para suportar o impacto dos fundo do mercado sempre que esses movimentos acontecerem.”

O fato é que os melhores momentos do DASH parecem ter ficado para trás, quando chegou a figurar no top 5 do ranking de criptomoedas e acumulou uma capitalização de mercado de US$ 11,5 bilhões. Hoje, é de apenas US$ 2,4 bilhões.

NEM (XEM)

Lançado no começo de 2015, o NEM (New Economy Movement) é um ecossistema que utiliza a tecnologia blockchain e criptografia de forma a permitir a implantação daquilo que à época foi intitulado como “ativos inteligentes” (smart assets). 

Embora a princípio fosse mais semelhante ao Ethereum do que ao Bitcoin, o NEM acabou não desenvolvendo recursos ou dApps que engajassem os usuários à rede. Com sua moeda nativa, o XEM, tornou-se mais uma alternativa ao BTC como meio de pagamento – bastante popular no Japão durante algum tempo – do que propriamente uma rival da rede de Vitalik Buterin.

Na rede do NEM qualquer um pode executar um nó. O sistema considera a quantidade de moedas mantidas por cada nó e a frequência com que eles transacionam na rede para calcular sua “importância”. Com base nessa pontuação, os nós recebem uma parte das taxas das transações que eles ajudam a processar. O sistema é baseado em um mecanismo de consenso próprio intitulado “Prova-de-Importância”, diferente dos mais conhecidos e disseminados “Prova-de-Trabalho” e “Prova-de-Participação”. 

Recentemente, o NEM realizou o seu sétimo hard fork, o Harlock, e finalmente, após seis anos, o NEM está saindo de sua versão BETA para operar como uma plataforma 100% de código aberto, segundo reportagem do site Crypto Briefing.

Nono colocado em 2017, hoje o NEM está na 80ª posição do ranking de criptomoedas, com uma capitalização de mercado de US$ 1,8 bilhões.

Monero (XMR)

A última colocada no top 10 de 2017 era o Monero, uma “privacy coin” por excelência. Ao contrário do que muitos dizem e pensam, é possível rastrear transações realizadas na blockchain devido à natureza transparente e imutável de sua tecnologia. 

Considerando que cada Bitcoin em circulação tem seu próprio número de série, o XMR é completamente fungível e é capaz de ocultar remetentes e destinatários por meio do uso de criptografia avançada. Seu objetivo é permitir que as transações ocorram em total privacidade e anonimato.

Para isso, utiliza-se um sistema de “assinaturas de anel”. Elas vinculam diferentes assinaturas a uma única transação que, assim, é validada anonimamente, sem a explicitação do endereço que realmente a executou. Além disso, para garantir que as transações não possam ser vinculadas umas às outras, endereços secretos utilizados apenas uma vez são criados a cada transação.

A tecnologia disruptiva do Monero chamou a atenção do governo dos EUA no fim de 2020 e a Receita Federal local (IRS) ofereceu uma recompensa para quem quebrasse o código do XMR. Duas empresas de análise de dados de blockchain, a Integra FEC e a Chainalysis, dividiram o prêmio de US$ 625.000 pouco tempo depois do anúncio do desafio.

De acordo com o site Decrypt, recentemente a administração do presidente Joe Biden associou o Monero a ataques de ransomware. Estes golpes cibernéticos consistem na invasão de redes de computador através de um software malicioso utilizado para assumir o controle sobre os dados e as operações das máquinas. Para restaurar o acesso às redes, normalmente os invasores exigem pagamentos em Bitcoin ou Monero.

Atualmente, o Monero ocupa a 43ª posição no ranking de criptomoedas, com uma capitalização de mercado próxima de US$ 5 bilhões, 30% abaixo do topo do ciclo de 2017 e 40% abaixo da máxima histórica de US$ 8,66 bilhões alcançada em maio deste ano.

2021

Olhando para o mesmo ranking em 2021, fica claro que a evolução da tecnologia blockchain e a experimentação de novos casos de uso fizeram com que o foco da indústria nos últimos quatro anos mudasse substancialmente, reservando exclusivamente ao Bitcoin as funções de uma moeda em seu sentido estrito de reserva de valor, unidade de conta e meio de pagamento. 

Top 10 criptomoedas em 9 de novembro de 2021. Fonte: CoinMarketCap.

Embora Bitcoin e Ethereum tenham mantido a liderança e a vice liderança, e até ampliado a distância sobre os demais concorrentes, e o XRP e a Cardano tenham se segurado no top 10 como reflexos pálidos dos dois primeiros colocados, as mudanças no ranking mostram três tendências: 

  1. A proeminência das blockchains de contratos inteligentes e infraestrutura, que acrescentam funcionalidades diversas à indústria que sequer existiam em 2017.
  2. A importância crescente das stablecoins para fornecimento de liquidez ao mercado e potencialização da utilidade dos recursos introduzidos pelos protocolos DeFi.
  3. A ascensão dos criptomemes como uma classe não menosprezável de criptoativos.

Dois projetos que sequer existiam em 2017 estão entre os principais destaques da indústria em 2021 e tudo indica que ainda têm muito a entregar daqui por diante.

Solana (SOL)

O primeiro é o Solana (SOL), uma blockchain alternativa para contratos inteligentes que responde diretamente aos problemas crônicos de escalabilidade, de agilidade e das altas taxas de transação da rede Ethereum. 

Graças a esses recursos, a Solana tornou-se a plataforma preferencial para jogos que se propõem a oferecer uma experiência estética mais refinada aos usuários, como por exemplo o Star Atlas. E a Phantom, a carteira digital mais popular do ecossistema Solana acaba de anunciar que ultrapassou a marca de 1,2 milhões de usuários ativos atualmente.

Depois de renovar a sua máxima histórica em US$ 260,06, em 6 de novemrbo, e assumir o quarto lugar do ranking de criptomoedas, a Solana vem se revezando na posição com o Tether e a Cardano em um intercâmbio quase permanente. No instante em que este texto está sendo escrito, ela encontra-se na sexta posição, com uma capitalização de mercado de US$ 72,6 bilhões.

Assumidamente, a Solana privilegia a escalabilidade e a segurança em detrimento da descentralização na equação ainda irresolvida do trilema da tecnologia blockchain. Postulado por Vitalik Buterin, a questão sentencia que um dos três requisitos fundamentais de uma rede acabará comprometido em benefício dos outros dois. São eles segurança, descentralização e esclabilidade.

Polkadot (DOT)

O segundo ativo lançado pós-2017 responde ao trilema colocando-se a meio caminho entre os pólos opostos representados pelo Ethereum – segurança e descentralização em detrimento da escalabilidade – e a Solana – escalabilidade e segurança em detrimento da descentralização.

Idealizada por Gavin Wood, um dos cofundadores do Ethereum, a Polkadot propõem uma arquitetura nova e original para minimizar o trilema da tecnologia blockchain: a criação de uma rede cross-chain capaz de conectar diversas blockchains com características autônomas, possibilitando, assim, a comunicação a interoperabilidade entre múltiplos ecossistemas.

Na prática isso se dá através de um hub central, intitulado relay chain (cadeia de retransmissão em tradução livre), que se conecta a diversas parachains – blockchains autônomas – permitindo que elas interajam entre si e ao mesmo tempo garantindo a segurança e a  governança da rede.

Por isso, a Polkadot não deve ser confundida com uma plataforma de contratos inteligentes. Ela não suporta o desenvolvimento de aplicações, apenas organiza, assegura e valida o fluxo de informações entre as blockchains a ela conectadas.

Recentemente, a Polkadot registrou um novo recorde histórico de preço (US$ 55) com o anúncio do primeiro leilão de parachains. Após os resultados, finalmente a rede vai entrar em funcionamento após anos de desenvolvimento, colocando à prova seu modelo inovador na prática.

Atualmente o DOT está na oitava posição do top 10, acumulando uma capitalização de mercado de US$ 50,1 bilhões.

Binance Coin (BNB)

Logo depois dos líderes, ocupando a 3ª posição, encontra-se o Binance Coin (BNB), moeda oficial da maior exchange do mundo, a Binance, e moeda nativa da Binance Smart Chain, a principal concorrente do Ethereum para games e DeFi em termos de Valor Total de Ativos Bloqueados (TVL). 

A essa dupla funcionalidade do BNB pode-se acrescentar uma terceira: ele funciona como uma espécie de “participação” sobre a exchange. Não sobre os lucros, mas sobre o sucesso da empresa. Como se fosse uma ação, porém sem participação societária.

Em dezembro de 2017, o BNB era o 36º colocado no ranking de criptomoedas, custava US$ 5,76 e tinha uma capitalização de mercado de US$ 570 milhões. Hoje, está cotado a US$ 634 e sua capitalização de mercado chegou a US$ 105,7 bilhões.

Stablecoins

Em 2017, a moeda soberana do mercado de criptomoedas era o Bitcoin. Em outras palavras, era através dele que a grande maioria dos ativos podia ser transacionada. Inclusive era através dele que se podia participar dos ICOs ou Oferta Inicial de Moedas. De acordo com a lenda daqueles tempos eufóricos, os ICOs teriam sido  ao menos em parte responsáveis pelo rali que culminou com alta histórica em 19 de dezembro.

Embora tenha sido lançada ainda em 2014 na blockchain do Bitcoin, com o nome de Realcoin, o Tehter não teve papel relevante no ciclo de alta de 2017. Em dezembro, era apenas o 24º ativo do ranking, com uma capitalização de mercado de US$ 1,1 bilhão.

Embora em novembro de 2018 já ocupasse o 10º lugar e um ano depois tivesse subido para 5º, sua ascensão definitiva coincide com a retomada do crescimento do mercado em 2020, especialmente a partir de setembro.

Em outubro, o USDT era o ativo que registrava o maior crescimento em termos de capitalização de mercado desde o início do ano. Com uma alta de 300%, superava o Ether (213%) e o Bitcoin (85%).

De acordo com um levantamento da firma de monitoramento de dados Chainalysis, com base na média de 180 dias, 97,9% dos USDTs emitidos foram distribuídos diretamente da tesouraria do Tether para as exchanges.

O aumento da demanda por stablecoins também coincidiu com um aumento de investimentos através de derivativos no mercado de criptomoedas. Essa classe de produtos financeiros passou a ser oferecida por exchanges como a Binance e a FTX apenas em 2020.

Em setembro de 2018, o Tether ganhou um concorrente de peso. Lançado inicialmente de forma limitada, o USDC nasceu pela iniciativa de um consórcio formado pela exchange Coinbase e a Circle. Como diferencial, o consórcio assegurava ter reservas suficientes para oferecer a troca de todo suprimento de USDC em circulação por dólares na proporção de 1:1. Em razão da falta de confiança no Tether, o USDC foi crescendo até chegar ao top 10.

À medida que o mercado atingiu seu ápice entre abril e maio deste ano, a Tether Holdings Limited, responsável pela emissão do USDT, passou a ser considerada uma ameaça à estabilidade do mercado e se viu pressionada a revelar a natureza de suas reservas. 

Desde então, a empresa vem divulgando relatórios periódicos, mas não sanou as dúvidas sobre sua capacidade de honrar integralmente o resgate de USDTs por dólares. 

Com o aumento da emissão e da demanda por stablecoins e da falta de transparência do Tether, as stablecoins são um dos alvos preferenciais dos reguladores. Muitos defendem que os emissores desta classe de ativos devem responder às mesmas leis e ser fiscalizados da mesma forma que instituições bancárias tradicionais.

Como alternativa às stablecoins emitidas por instituições privadas, existem hoje diversas moedas digitais descentralizadas atreladas ao dólar, como o DAI e o TUSD, mas todas elas juntas ainda representam uma proporção pequena da capitalização total de mercado.

Hoje, o USDT é o 5º e o USDC é o 10º no ranking geral de criptomoedas, com capitalização de mercado de US$ 73,2 bilhões e US$ 34,6 bilhões, respectivamente.

Criptomemes

Em 2017, os criptomemes já existiam, mas, apesar do frenesi do mercado diante da tendência geral de alta, não eram levados – tão – a sério como investimento. O pioneiro Dogecoin era o 33º colocado do ranking em dezembro de 2017, com uma capitalização de mercado de US$ 672,5 milhões. 

Nada desprezível para a época, mas muito pouco perto do que ela viria alcançar com a comunidade que se criou em torno de Elon Musk e do poder do homem mais rico do mundo de impulsionar o DOGE com suas postagens no Twitter.

Em 14 de abril, ao mesmo tempo que o Bitcoin alcançava um novo recorde histórico, o Dogecoin entrou no top 10. Em menos de um mês, havia chegado até o quarto lugar do ranking.

Ao atingir sua máxima histórica em maio, o Dogecoin não apenas fez milionários como inspirou uma série de imitações cujo sonho dos desenvolvedores e das comunidades ansiosas por se engajar no próximo sucesso do mercado era enriquecer da noite para o dia.

Uma dessas imitações foi o Shiba Inu (SHIB), cujo crescimento inicial na primeira metade do ano foi proporcional à do DOGE. Também contando com alguns tweets de Elon Musk, o SHIB foi subindo posições e surpreendeu muita gente ao entrar no top 20 no começo de outubro. Antes do fim do mês, o que parecia impossível aconteceu. O Shiba Inu entrou no top 10, ultrapassou o Dogecoin e tomou do pioneiro o lugar de criptomeme mais querido do mercado.

Desde então, o DOGE conseguiu reassumir sua posição e hoje é o 9º colocado, com uma capitalização de mercado de US$ 36,2 bilhões enquanto o rival SHIB está em 11º, logo ali à espreita, sugerindo que disputa ainda não tem um vencedor.

2025

Não há uma conclusão definitiva a ser tirada a respeito da transformação do mercado de criptomoedas nos últimos 4 anos. Se no auge do ciclo de 2017 ativos que ofereciam soluções de meio de pagamento eram predominantes, agora a principal tendência do mercado são as plataformas de contratos inteligentes, especialmente se considerarmos que além das quatro presentes nesta lista (considerando-se o BNB nesse grupo em função da Binance Smart Chain), Terra (LUNA) e Avalanche (AVAX) ocupam respectivamente a 12ª e a 13ª posições. 

Uma coisa quase certa é que em 2025 podemos esperar que, em uma indústria tão nova e dinâmica quanto a de criptomoedas e tecnologia blockchain, pelo menos metade dos ativos que hoje compõem o top 10 terão sido substituídos por outros. 

Possivelmente por alguns cujo propósito e finalidade ainda são desconhecidos hoje.

Obs: Todos os dados utilizados neste texto são do CoinMarketCap.

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Fonte: cointelegraph.com.br

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